RD - B Side
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"Sometimes meaningless gestures are all we have"

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008
Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal (Indiana Jones And The Kingdom Of The Crystal Skull)



Um dos meus maiores receios com a volta do famoso personagem era a possibilidade de acontecer uma atualização que destoasse da trilogia original e acabasse como uma sombra (mesmo que nova) perante à memória dos outros três. Ocorreu um pouco disso na versão atualizada de E.T. que, ainda bem, saiu também numa edição especial que continha o filme como era na época do lançamento e em outros casos fora da filmografia de Steven Spielberg. Isso não ocorre neste novo filme e apenas pelo fato de estar em pé de igualdade com os outros três filmes já faz com que a avaliação comece de ótimo para cima, tudo o mais é lucro, mesmo com suas eventuais falhas (que também existiam nos outros). Minha experiência com os outros filmes difere um pouco da maioria. Meu primeiro contato via cinema foi com O Templo Da Perdição e é esse, talvez, o filme que mais vi na vida, por isso é o que tenho mais carinho, mesmo que seja renegado pelos fãs e até pelo Spielberg. Caçadores Da Arca Perdida fica em desvantagem pois A Última Cruzada também vi no cinema e sua trama com mais aspectos pessoais conquistam.

A impressão inicial do novo filme (como vi dezenas e dezenas de vezes a trilogia, só com constantes revisões prazeirosas desse a coisa começa a ficar justa) é que Spielberg, Lucas e os roteiristas pegaram elementos dos três filmes e juntaram num só, acrescentando outras referências do mesmo universo como O Jovem Indiana Jones, Contatos Imediatos Do Terceiro Grau, Taken, A.I., Jurassic Park, etcs. Fiquei impressionado por achar que estava há poucos anos depois de 1989, o mesmo estilo, o mesmo visual (grande trabalho de Janusz Kaminski por emular a fotografia de Douglas Slocombe), as mesmas tiradas, o mesmo clima e diversos outros elementos (grandes e pequenos) que reduziram drasticamente os quase 20 anos de diferença entre o último filme e este. Mesmo a direção do Spielberg tenta não estar contaminada com o que fez nesse tempo, nem a idade de Harrison Ford em momento algum pesou (como notava claramente em filmes recentes dele).

Logo no início fica claro o modo como Spielberg marca as cenas, juntando planos num só, fazendo o corte na câmera, me senti em casa em instantes. Spielberg consegue me desarmar como poucos, me senti criança novamente soltando risadas livremente, e empolgado nas cenas de ação, mas não como geralmente ocorre, algo que envolva adrenalina com tensão, mas sim uma genuína empolgação de aventura lúdica. Sentia falta dessas cenas de ação, como dizer, bem filmadas, onde as ações fazem um sentido e são mostradas claramente, então uma movimentação moto-carro-moto tem seu tempo assim como a do vai e vem da caveira de cristal por entre os carros na floresta.

Dentre as falhas do filme está a complexidade da simplicidade do roteiro, a história é simples, mas em alguns momentos sua explicação mais complica do que simplifica; também a má utilização de Ray Winstone que nunca é bem caracterizado e por isso suas constantes viradas soam falsas e algumas reações não têm sentido (inclusive sua fala final); toda a trama não conseguiu se ligar com outra coisa senão a própria trama, enfraquecendo-a - no primeiro havia algo histórico, no segundo uma comunidade e no terceiro a ligação pai e filho - neste a trama, sem querer ou não, se liga na vilã e em suas ambições e questionamentos e não em algum dos protagonistas ou algum lugar específico; e o que são aquelas piadas com esquilos no começo do filme (aparecem três vezes)? Fiquei sem entender.

Shia LaBeouf foi uma boa adição e adorei a piada final dele com o chapéu. A vilã feita pela Cate Blanchett aparentemente tem um defeito que vi como qualidade: ela não chega a ser ameaçadora (mas nos outros apenas Mola Ram realmente era um antagonista de peso), mas cria-se uma simpatia por ela (a cena dela pendurada e das formigas tentando subir é um exemplo de como há até uma torcida para que não seja pêga e sua reação é até admirada quando esmaga a formiga que subiu). Nisso ela se aproxima bastante de um perfil de vilã de desenho animado, onde acabamos nos divertindo com suas atitudes, mais do que criando antipatia e raiva.

Ao não deixar com que esse filme tenha um tom de fechamento (como A Última Cruzada), mas sim de começo de uma nova trilogia, perde-se num clímax mais emocional, mas ganha-se na expectativa de novas aventuras. Que venham Júnior e Henry Jones III!


posted by RENATO DOHO 12:15 AM
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
Scrubs - Quinta Temporada (Scrubs - 5th Season)



Mesmo atrasado (a série está na sétima temporada) posso afirmar que não há na tv elenco mais carismático do que esse, TODO o elenco é ótimo, não há um que não goste. Isso é raríssimo. E nem preciso falar que é uma das mais divertidas, criativas, emotivas e cativantes sitcoms da tv. E as três principais atrizes representam, cada uma ao seu modo, os aspectos mais sedutores da figura da mulher: a companheira, a amiga, a mãe, a irmã, a filha, a competidora, a musa, a parceira...

The Addiction

Abel Ferrara no mundo dos vampiros! Lili Taylor está ótima e deve ter sido o primeiro grande papel dela (foi antes de Um Tiro Para Andy Warhol). Acho-a um caso curioso: talentosa, nunca conseguiu realmente virar estrela, se equilibrando entre coadjuvantes e poucos papéis principais, além de parecer sempre ter a mesma idade indefinida, nem jovem e nem velha. Tem também uma participação ótima do Christopher Walken. E o elenco de Sopranos aparece em peso: Edie Falco, Annabella Sciorra e Michael Imperioli (numa pequena participação). Uma doutoranda (?) em filosofia é mordida por uma vampira e a partir daí vai à caça de novas vítimas. Fé, drogas, o mal, o vício, redenção, tudo é abordado no roteiro de Nicholas St. John.

"To face what we are in the end, we stand before the light and our true nature is revealed. Self-revelation is annihilation of self."


Adrenalina (Crank)

Boa diversão. Vai ter continuação.

Quebrando A Banca (21)

Apesar da história não apresentar surpresa você acaba torcendo pro mocinho, que ele fique com a mocinha, querendo que o vilão se dê mal, etcs, revelando uma qualidade mínima de condução. Ruim que o casting vai contra a história real: a maioria dos estudantes envolvidos era de origem asiática (o que seria natural), mas no filme acaba que só 2 são e viram coadjuvantes. Pior é que a mocinha branquela não convence como bonita e nem como inteligente. A coisa da ambição monetária, o estudo pago e a relação potencialmente perigosa entre mestre e alunos não são aprofundados.

Evidências De Um Crime (Cleaner)

Renny Harlin é um enigma, às vezes faz umas coisas boas, outras umas bombas sem tamanho. Aqui fica no meio termo, a história até poderia interessar, mas acaba que fica previsível a partir de um ponto. Deve ser a terceira parceria entre Harlin e Samuel L. Jackson. Aqui ele faz um limpador de cenas de crime (função que o filme Eles Matam, Nós Limpamos já tinha explorado) que acaba envolvido num assassinato do marido de Eva Mendes e precisa da ajuda do ex-parceiro, Ed Harris.


posted by RENATO DOHO 2:47 PM
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
Punisher: War Zone





Não tenho a menor expectativa, mas há sempre aquela esperança que haja ao menos algumas coisas boas.


posted by RENATO DOHO 4:44 PM
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
Rambo [Two-Disc Special Edition]



• Audio Commentary by Sylvester Stallone
• Deleted Scenes
• "Legacy of Despair: The Struggle in Burma" featurette
• "It’s a Long Road: Resurrection of an Icon" featurette
• "A Score to Settle: The Music of Rambo" featurette
• "The Art of War: Completing Rambo" featurette
• "The Weaponry of Rambo" featurette
• "A Hero's Welcome: Release & Reaction" featurette
• Digital Copy of the feature film


posted by RENATO DOHO 1:52 PM
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008
O Sonho De Cassandra (Cassandra’s Dream)

Não que é gostei bastante desse filme do Woody Allen? Tava já meio enjoado de seus filmes recentes (exceto Match Point) e não esperava nada demais nesse só que acabei nem lembrando, em boa parte, que era um filme dele, e isso atualmente é bom. Só quando o Colin Farrell começa a parecer bastante com a persona de Allen que voltei a lembrar quem dirigia, mas não chega a ser uma cópia barata como aconteceu algumas vezes com outros atores em filmes dele. Mesmo assim não é algo negativo pois gostei do Colin nesse filme, bem diferente em vários aspectos (expressão corporal, entonação, olhar) e convincente. Há semelhanças com Crimes E Pecados e até Match Point no que o filme discute. As elipses são muito boas. Adorei o fim e seu plano final.

Bella (Idem)

Pequeno e adorável filme que se passa em apenas dois dias e mostra o relacionamento entre um cozinheiro e a empregada do restaurante que acaba de ser despedida e se descobre grávida. A atriz lembra outras personalidades, tem algo de Norah Jones com Judy Garland (aliás ela a interpretou num outro filme). O gostoso do filme é como nesse curto espaço de tempo os dois vão se aproximar e como a família dele mostra esse lado forte da raíz cultural. O final pode deixar indagações já que não chega a ser extremamente claro, mas não é algo prejudicial.

I Want Someone To Eat Cheese With

Quem assiste o seriado do Larry David, Curb Your Enthusiasm, vai identificar na hora o protagonista desse filme, Jeff Garlin. Ele também dirige (pela primeira vez) e roteiriza. O humor lembra do seriado nas desventuras de um ator que quarentão ainda batalha por pequenos papéis, se sujeita a fazer pegadinhas para programas de tv, mora com a mãe e tem problemas com seu peso. Nisso também lembra um pouco o seriado Extras com o Ricky Gervais. Creio que, no meio disso, há muito de pessoal do próprio Garlin no filme, seja coisas que ocorreram com ele ou com quem ele conviveu. Há uma grande variedade de participações de atores, provavelmente amigos, vindos da tv e do stand up: Sarah Silverman, Bonnie Hunt, Richard Kind, Joey Slotnick, Dan Castellaneta (o Homer), Paul Mazursky, Amy Sedaris, Gina Gershon e David Pasquesi (o personagem dele é muito bom). O filme Marty é muito citado e só por uma pequena cena quis conhcer mais o músico Ben Webster. É um pequeno filme, carinhoso com a vida e o personagem. Garlin fez logo após (2006) um documentário sobre a obra de John Waters, This Filthy World, que deu vontade de procurar.

O Grande Debate (The Great Debaters)

Direção do Denzel Washington, produção da Oprah Winfrey, finalmente conseguiram realizar um filme juntos. É daqueles cheio de boas intenções mostrando um pouco da história negra americana através do grupo de debates de uma faculdade só para negros em 1935. Daí surge uma idéia mais forte da luta por direitos civis através da desobediência civil (na questão negra) que tomaria forma com mais força nos anos 60 com Martin Luther King, Jr. Tudo correto e bem feito, só que o debate final não tem aquela força que deveria ter, não há um verdadeiro embate de idéias ou um discurso que realmente arrebatasse. Só como pequena comparação Alan Shore em Boston Legal consegue superar em alguns episódios qualquer debate que o filme apresenta.

Antes De Partir (The Bucket List)

Diante da decadência do Rob Reiner como diretor esse trabalho é até acima da média do que andava fazendo. Juntar Jack Nicholson e Morgan Freeman e falar sobre a morte até pode fazer lembrar outros projetos parecidos que caem em mais besteiras do que o necessário, mas aqui entre uma bobagem e outra até que há um mínimo de seriedade insuspeita. O final é espertinho, tentando enganar o espectador.

P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You)

Nova parceria entre o diretor Richard LaGravenese com a atriz Hilary Swank após o bem sucedido Escritores Da Liberdade. Funcionaram melhor com o drama do que com a comédia, mas ao menos Swank consegue passar uma graça pouco explorada. Conseguiram arranjar dois atores com o mesmo tipo, Gerard Butler e Jeffrey Dean Morgan, chegando até a parecer que são a mesma pessoa se não se prestar muita atenção ou irmãos (sem que eles fizessem uma cena juntos). A parte dramática é melhor do que as tentativas de humor e Harry Connick Jr. é apenas usado para despistar. Quem gosta da Irlanda o filme tem especial interesse pelo país e seus habitantes.

Speed Racer (Idem)

Como é ruim esse filme dos irmãos Matrix! Acho que isso resume tudo. O visual parece que foi criado pelo Robert Rodriguez, tanto os cenários quanto algumas ações e humor de personagens lembram o que o tex mex fez em seus filmes infantis (se bem que com o Rodriguez achei algumas coisas interessantes). No começo a coisa é tão básica que parecia que estava vendo um filme educativo infantil mal feito (aqueles pra escola com orçamento mínimo), até a criança parecia amadora. Os personagens inexistem, e olha que a carga dramática do Speed e do Corredor X (extremamente mal apresentado) era grande no desenho original. As cenas de corrida são sem graças e poucas criativas (tanto que preferem fazer como algumas lutas em certos filmes quando não há um coreógrafo bom: closes, edição rápida e câmera nervosa; aliás Michael Bay faz isso com perseguições de carro pelo mesmo motivo, fica parecendo que está acontecendo mil coisas, mas não é nada). A trama é tão besta que eu nem prestei atenção (aí até me indagava: que documento? que grande prêmio? e aqueles japas o que são? - aquela atriz oriental é ruim hein!) e com as corridas pouco empolgantes me deparei no meio do filme perguntando que diabos o filme teria a oferecer (isso que em uma hora de filme não acontece nada, fiquei até com sono)? Bom, nada. Nem humor, nem os atores (quase todos péssimos e caricatos), nem trama, nem vilão, nem um Mach 5 legal, nem desafios, nem drama familiar e nem romance. Falando em atores, pediram pra Susan Sarandon ressaltar os seios? Algumas horas pareciam gigantes. Eram o que mais chamavam atenção. E isso num filme supostamente infantil, onde ela é a mãe e há Christina Ricci (figurante de luxo, até a menininha que a faz quando criança é mais interessante e expressiva) no elenco só pode ser mais um dado de como o filme foi mal planejado / realizado. Bom, mas isso Matrix Reloaded e Matrix Revolutions já indicavam claramente.


posted by RENATO DOHO 10:26 PM
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
The X-Files: I Want To Believe



Trailer em HD

posted by RENATO DOHO 6:55 AM
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Sábado, 10 de Maio de 2008
Bono



10/05/1960

"Explicar uma crença sempre é difícil. Como você explica existir amor e lógica no íntimo do universo quando o mundo está tão em dívida com isso? O livre-arbítrio tem nos atormentado? Imagina então aos personagens que habitam o grande livro conhecido como Bíblia, que ouvem a voz de Deus? Explicar fé é impossível: visão (objetivo) acima de visibilidade; instinto acima de intelecto. Um compositor toca um acorde com a fé de que o próximo acorde vai soar na sua cabeça.

Um dos escritores de Salmos foi um músico, um harpista cujos talentos foram solicitados no palácio como a única medicina que podia calar os demônios do temperamental e inseguro Rei Saul de Israel. É uma cultura que ainda prevalece: Marilyn [Monroe] cantou para Kennedy, as Spice Girls para o Príncipe Charles.

Quando eu tinha 12 anos, era fã de Davi. Ele parecia familiar, como um pop star poderia parecer familiar. As palavras de Salmos eram tão poéticas quanto religiosas e ele era uma estrela. Antes que Davi pudesse cumprir a profecia e se tornar o Rei de Israel, ele teve que tomar uma bela surra. Ele esteve no exílio e acabou numa caverna em alguma cidade fronteiriça enfrentando o colapso de seu ego e o abandono de Deus. Mas é aí onde a novela se torna interessante. É onde diz-se que Davi compôs seu primeiro salmo – um blues. Este é o motivo por quê vários salmos parecem o blues para mim. O homem gritando com Deus: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acha tão longe de me ajudar?" (Salmo 22)

Eu ouço ecos desse barulho santo quando um cantor de blues, não-santo, Robert Johnson grita: "Há um cão do inferno no meu caminho" ou Van Morrison canta "Algumas vezes eu me sinto como uma criança orfã". Texas Alexander imita os Salmos em Justice Blues: "Eu clamei, Senhor meu Pai. Reino do Senhor venha. Traga de volta minha mulher, então Tua vontade será feita". Engraçado, algumas vezes são blasfemadores... o blues foi uma música marginal mas, pela sua grande oposição, louvou o assunto principal de seu primo perfeito, o gospel.

Abandono e deslocamento formam o conjunto dos meus salmos favoritos. O livro pode ser uma fonte de música gospel, mas para mim o que o salmista realmente revela é desespero e a natureza de seu relacionamento especial com Deus. Honestamente, até do ponto de vista da raiva: "Até quando, Senhor? Esconder-te-ás para sempre?" (Salmos 89:46) ou "Me responda quando eu clamar" (Salmo 5).

Salmos e hinos foram meus primeiros gostos de inspiração musical. Eu gostava das palavras, mas eu não tinha certeza das melodias... com excessão do Salmo 23, "O Senhor é meu pastor..." Eu as lembro mais como zunidas e entoadas do que cantadas. Mas elas me prepararam para a sinceridade de John Lennon, a linguagem barroca de Bob Dylan e Leonard Cohen, a goela aberta de Al Green e Stevie Wonder. Quando eu ouço esses cantores, eu estou reconectado a uma parte de mim que eu não posso explicar – minha alma, eu acho.

Palavras e música fizeram por mim o que sólidos, até rigorosos, argumentos religiosos nunca poderiam fazer – eles me apresentaram a Deus, não a crença em Deus, mas uma experiência sensorial de Deus. Mais do que artes, literatura, garotas, encontros, a maneira do meu espírito se expressar era uma combinação de palavras e música. Como resultado, o livro de Salmos sempre pareceu convidativo para mim e me conduziram as poesias de Eclesiastes, aos Cantares de Salomão, ao livro de João... Minha religião não poderia ser ficção, mas tinha que transcender aos fatos. Poderia ser místico, mas não mítico.

Minha mãe era Protestante, meu pai Católico. Em qualquer lugar, exceto na Irlanda, isso seria irrelevante. Os Prods [Protestantes] daquela época tinham as melhores melodias e os católicos tinham os melhores equipamentos de palco. Meu colega Gavin Friday costumava dizer: "Os Católicos Romanos são os Glamrock da religião" com suas velas e cores psicodélicas – azul, vermelho e vinho –, incensários e o toque do pequeno sino. Os Prods [Protestantes] eram os melhores com os grandes sinos, eles podiam se dar ao luxo de usá-los. Na Irlanda, riqueza e Protestantismo andavam juntos. Ter qualquer um dos dois significava ter colaborado com o inimigo, que é a Inglaterra. Isso não ocupava nossa casa.

Depois de ir à missa no topo da colina, em Finglas, ao norte de Dublin, meu pai esperava fora da pequena capela da Igreja da Irlanda, na base da montanha, onde minha mãe tinha levado seus dois filhos.

Eu me mantinha acordado pensando na filha do pastor e deixava meus olhos mergulharem no cinema dos vitrais. Esses artistas cristãos inventaram o cinema. Luz projetada por meio da cor para contar sua história. Nos anos setenta a história eram os "Troubles" e vieram através dos vitrais, com pedras jogadas mais de malandragem do que de raiva. Mas a mensagem era a mesma: o país estava dividido em linhas sectárias. Eu tinha os pés em ambos os campos, então meu Golias se tornou a própria religião: eu comecei a ver a religião como a perversão da fé. Eu comecei a ver Deus em todo e qualquer lugar. Em garotas, diversão, música, justiça e silêncio... apesar da grandiosa tradução do Rei James – as Escrituras.

Eu amava essas histórias pelas razões mais fúteis, como filmes de ações, com alguns homens e mulheres durões, as perseguições de carro, as casualidades, o sangue e a coragem. Havia pouco beijo.

Davi era uma estrela, o Elvis da Bíblia, se nós pudermos acreditar na escultura de Michelangelo. E extraordinariamente para alguém tão "rock star", com sua sede de poder, sede de mulheres, sede de vida, ele tinha a humildade de alguém que conhecia seu dom trabalhado mais intensamente do que nunca. Ele até mesmo dançou nu na frente das suas tropas – o equivalente bíblico de seguidores reais. Definitivamente, Davi era mais artista do que político.

De qualquer forma, eu parei de ir às igrejas e entrei em um tipo diferente de religião. Não dê risadas. Estar em uma banda de rock'n roll é isso. "Showbiz" é xamanismo, música é adoração. Se for adoração de mulheres ou a forma delas, o mundo ou sua destruição, se vem daquele velho local que nós chamamos de alma ou simplesmente coluna vertebral, se os adoradores estão apaixonados com uma intensidade muda ou desejam como pomba, a fumaça sobe, para Deus ou algo que você use para substituir Deus – normalmente si próprio.

Anos atrás, insensível às palavras e faltando 40 minutos para terminar nosso tempo de estúdio, nós ainda estávamos procurando uma música para fechar nosso terceiro álbum, War. Nós queríamos colocar algo explicitamente espiritual no álbum para equilibrar os temas políticos e românticos... como Bob Marley ou Marvin Gaye fariam. Nós consideramos sobre os Salmos - Salmo 40. Havia alguma inquietação. Nós éramos um grupo de rock branco e tal saque das Escrituras era um tabu para um grupo de rock branco a menos que isso estivesse a serviço de Satã. O Salmo 40 é interessante por que ele propõe um momento em que a graça substitui o karma e o amor substitui as leis muito severas de Moisés (em outras palavras, cumpre). Eu amo aquela idéia. Davi, que cometeu um dos atos mais egoistas e irresponsáveis estava contando com isso. As Escrituras serem cheias até a borda de pessoas inescrupulosas, assassinos, covardes, adúlteros e mercenários costumava me chocar. Agora isso é uma fonte de grande conforto.

40 se tornou a música que fechava os shows do U2, em centenas de ocasiões, literalmente milhares de pessoas de todas as idades e vários tipos de camisetas cantavam alto o refrão roubado do Salmo 6: "Quanto tempo (cantarei essa canção)?" Eu tinha pensado sobre isso como uma questão importunante, tocando na orla de uma divindade invisível cuja presença nós vislumbramos somente quando agimos em amor. Quanto tempo famintos? Quanto tempo odiados? Quanto tempo até que a criação cresça e o caos disso se antecipe, a pequena inclinação ao inferno tem sido descartada? Eu considerei quão estranho é que falar sobre tais questões traz algum conforto – inclusive para mim.

Retornando a Davi, não é tão claro quantos desses Salmos foram realmente escritos por ele e seu filho Salomão. Alguns acadêmicos sugerem que a realeza nunca umedeceu a caneta e que havia escritores espirituais. Quem se importa? Eu não comprei Leiber e Stoller – eles eram apenas compositores. Eu comprei Elvis".

Bono (introdução ao livro de Salmos do livro Revelations: Personal Responses To The Books Of The Bible)

boomp3.com
Everlasting Love

boomp3.com
Dying Sailor To His Shipmates

"Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados.
(...)
Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará. e a tua justiça irá adiante de ti; e a glória do Senhor será a tua retaguarda." - Isaías 58

posted by RENATO DOHO 7:07 AM
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
She & Him - Volume One



A maravilhosa atriz Zooey Deschanel canta, além de tudo, e lançou esse cd de um projeto junto com M. Ward após uma parceria, que obviamente deu certo, para uma canção de uma trilha de filme. E
eles vão sair numa breve turnê.

LINK

posted by RENATO DOHO 2:41 PM
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The Blanks - Riding The Wave



Pra quem vê a série Scrubs sabe que um dos personagens, o atrapalhado advogado Ted, faz parte de um grupo vocal que aparece de vez em quando cantando em episódios. As versões são boas e divertidas ao mesmo tempo. A surpresa, ao menos pra mim, é que o ator realmente canta e o grupo existe mesmo. E até lançaram um cd com algumas canções e alguns áudios dos bastidores do seriado. Dentre as faixas escolhidas há a versão deles para o tema de abertura, o tema do Flipper e do Speed Racer. Pena que duas do centésimo episódio não entraram: uma versão de
Maniac (de Flashdance) e Somewhere Over The Rainbow que pelo vídeo dá pra perceber o plano final concebido pelo Zach Braff (que dirigiu este episódio) e a fotografia com cores mais vibrantes que aparece na metade final do episódio por causa das referências ao Mágico De Oz.

LINK

posted by RENATO DOHO 2:28 PM
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Domingo, 4 de Maio de 2008
Trailers

Os links são mais indicados para baixar, com alta qualidade, do que simplesmente ver, pois aí creio que a maioria já deve ter no youtube.

The Spirit

Só um teaser. Engraçado que por causa da trilha de Os Intocáveis e as poucas imagens fica parecendo trailer feito por fã ao invés de algo oficial. Visual totalmente Sin City (pro bem ou pro mal). Acho um erro apresentar o Will Eisner à uma platéia maior através de uma vertente que não representa boa parte de sua obra, ainda mais pelo estilo que o Frank Miller parece que vai imprimir...

The Incredible Hulk

Primeiro plano do trailer? Rio De Janeiro hehehe Depois as favelas. Prenúncio de que exatamente? hehehe Dava até pra pensar que o filme inteiro se passava aqui, mas logo tem um plano de neve... Parece ter mais ação que o anterior, mas vamos ver até onde o ego de Edward Norton conseguiu estragar o filme.

Redbelt

David Mamet, Rodrigo Santoro, Alice Braga, Tim Allen e jiu jitsu, que mistura!

American Teen

Eis algo no mínimo curioso. Você começa a ver o trailer e acha que é mais um desses filmes sobre escola e jovens, mas na verdade é um documentário! E pega os mesmos tipos do antológico Clube Dos Cinco (olhem o cartaz): a rebelde, o nerd, o esportista, o garanhão e a princesa. Parece que não mudou muito de lá pra cá. Como terá sido o método para captar as cenas e dar a impressão de ser uma ficção? Mas o aspecto mais evidente que se trata de um documentário e não uma ficção é a pele de cada um, todos com problemas de pele, coisa tão comum que quase nunca aparece em filmes, principalmente sobre jovens. A diretora, Nanette Burstein, é a mesma do ótimo doc O Show Não Pode Parar sobre o Robert Evans. Dá vontade de ver logo esse documentário!

The House Bunny

Sou fã da Anna Faris e já fico com vontade de ver o filme só de saber que está no elenco. Como aqui é protagonista e tem umas cenas bem engraçadas nem precisa de mais nada. Só ela mesmo pode fazer a cena da Marilyn e ficar engraçada (fosse outra só seria ridículo).

Rogue

Só a Radha Mitchell mesmo pra eu querer ver um filme sobre um crocodilo gigante assassino... Ah, tem o Michael Vartan (de Alias) e o diretor é o mesmo de Wolf Creek, mas isso particularmente não me interessa.

The Children Of Huang Shi

Olha a Radha Mitchell de novo! Aqui num drama épico passado na China dos anos 30. Com ela também temos Jonathan Rhys Meyers, Chow Yun Fat e Michelle Yeoh. Na direção Roger Spottiswoode (achava que estava sumido desde O Sexto Dia, mas tem 5 filmes semi-desconhecidos nesse meio tempo).

Miss Conception

Já gera interesse por ter logo no início a Heather Graham e a Mia Kirshner. A trama gira em torno de querer engravidar.

Postal

Um filme de Uwe Boll. E é escrito por ele e pelo assistente de direção de seus filmes. Filme do ano! Preciso ver ao menos um filme do Boll, quem sabe esse que parece uma bobagem divertida?

posted by RENATO DOHO 12:15 AM
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2008
Ensinando A Viver (Martian Child)

Esse filme que reúne os irmãos Cusack (John e Joan) traz um tema batido da adoção e adaptação do adotado com sua nova vida. O diferencial aqui é que o garoto diz e acredita que veio de Marte, por isso quase não pega sol, anda com um cinto anti-gravitacional, só come um certo tipo de cereais, etcs. Também não é um casal como sempre, mas quem o adota é um jovem viúvo que, em parte, faz isso como homenagem à esposa que queria adotar. Um dos problemas (insolúveis?) desse tipo de trama é que a fantasia criada ou é verdadeira ou é falsa, ou o garoto é de Marte mesmo ou não é e isso, se é a coisa vira uma ficção que distancia o espectador dos dilemas apresentados, é a exceção, é "coisa de cinema", mas se não é a fantasia vira uma metáfora barata. Ao menos sabemos que o caso é baseado num fato real, o que alivia um pouco a barra da história, não foi uma mera invenção vinda da cabeça do roteirista. Mesmo assim fica-se com o desejo que as duas partes pudessem ser verdadeiras ao mesmo tempo e como isso não ocorre vem a frustração. E pra quem curte, a Amanda Peet participa, o que sempre ajuda.

Traídos Pelo Destino (Reservation Road)

Retorno da parceria entre o diretor Terry George e o ator Joaquin Phoenix após Hotel Ruanda. Como não vi, ainda, o filme anterior, não sei exatamente onde os erros e os acertos são reprises, se houve evolução ou não. Só dá pra notar que pelo elenco esperava-se um resultado um pouco melhor. A premissa, de certo modo, é interessante, mas duas coincidências grosseiras demais já estragam o clima - não basta haver uma ligação entre as famílias, mas duas?! Aí que ficamos com a impressão de teatro armado, com moral da história ao final. Fosse mais realista, sem forçar ligações, o filme se beneficiaria bastante. A escolha de cada ator ao menos se mostrou acertada. Joaquin Phoenix passa essa progressiva atitude auto-destrutiva enquanto Mark Ruffalo tem um ar de medroso mesmo. Jennifer Connelly e Mira Sorvino estão apenas corretas, destacando uma cena em que realmente sentimos a dor de Connelly. Elle Fanning, cada vez mais, mostra como está melhorando, é dela que vem todo o sentimento do filme, mesmo que não seja muito explorada, o caos dos primeiros dias, o respeito posterior, a saudade, etcs. O talento parece ser de família mesmo. O final é meio exagerado e falso, e até anti-climático, o conflito não era aquele, mas sim como as pessoas lidam com suas responsabilidades após se assumirem, isso o filme deixa de lado...

O Jogador (Pistol Whipped)

Um tempinho que não via um filme da safra recente do Steven Seagal e parece que esse é acima da média. A primeira coisa boa é que não vemos o Seagal fazendo coisas que não são de sua alçada, ele vinha usando efeitos especiais, cabos e dublês evidentes nas cenas de ação; aqui são apenas umas lutas básicas e tiroteio. As cenas de ação aparecem mais também, inclusive em seu final num longo confronto no cemitério. Seagal continua gordo e o personagem é sempre o mesmo, alguém que já foi da lei, só que no filme ele se mostra em estado mais deplorável por causa do jogo e da bebida, negligenciando a filha e aceitando ser um matador de aluguel. Sem procurar um sentido na história de repente o grupo mercenário é do bem, mesmo que seja ruim em essência (uau, que filme complexo!). Há um gancho para seqüência.

Ligados Pelo Crime (The Air I Breathe)

Que filme ruim! E olha o elenco que essa ruindade conseguiu "cooptar": Forest Whitaker, Andy Garcia, Brendan Fraser, Sarah Michelle Gellar, Julie Delpy, Kevin Bacon, Emile Hirsch e Kelly Hu. Esse sim seria o Crash que todos malharam, pois a estrutura é um pouco parecida. Melhor nem falar como é o filme, para causar espanto diante do início dele, eu me perguntava se aquilo era à sério mesmo. Se citar algumas coisas que acontecem no filme não dá pra acreditar, só vendo mesmo, além de ridículas são absurdas e filmadas de modo histriônico, como se fosse uma super paródia. Pior que isso é ver no
imdb tanto nos comentários quanto nos fóruns que o filme é bem elogiado por boa parte de quem viu (a média geral é até alta, 7.7). Que é profundo, tocante, brilhante, etcs. E por causa da Sarah Michelle Gellar comparam com Southland Tales (receio de ver esse filme agora). Primeiro filme do diretor Jieho Lee (mais surpresa ainda ele conseguir financiamento e esse elenco logo de cara). Como essa gritante diferença de opiniões ocorreu também com o filme The Nines talvez eu é que não tenha entendido os filmes mesmo. Mas que eles são ruins são mesmo, mas de certa forma até exóticos, para serem vistos e odiados ao invés de meramente descartados.

posted by RENATO DOHO 7:04 PM
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