RD - B Side
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"Sometimes meaningless gestures are all we have"

terça-feira, junho 15, 2004
Sepultura - Toda A História

A biografia da banda escrita por André Barcinski e Silvio Gomes é boa e dá um panorama geral de como a banda começou até chegar na separação dos irmãos Cavalera e o lançamento de Against. A escrita é informal e parece uma grande reportagem para uma revista que seria dividida em vários números, ao invés de um texto sisudo, por isso às vezes algumas coisas incomodam, como referências que datam demais certos eventos ou algumas comparações esdrúxulas. Mas, por outro lado, faz a leitura ser bem fluente e não teoriza demais a carreira da banda. Histórias de bastidores bem legais nas turnês. Na briga dos irmãos o lado mais criticado é o de Max com a esposa já que tudo o que afirmaram o livro desmente, favorecendo a versão de Igor e da banda (e creio ser realmente o que aconteceu). É um fato lastimável para essa grande banda, justo no momento de maior sucesso com a repercussão de Roots. Ao menos a banda continuou ativa e forte ao contrário de outras que tentaram se manter mas ficaram fracas, como os Raimundos. Óbvio que lendo o livro dá vontade de ouvir todos os álbuns na ordem para melhor apreciação, ainda bem que tenho um cd-r antigo que parece até ser um complemento ideal ao livro já que tem todos os álbuns e b-sides até o Against.

Fazendo uma comparação li as 70 páginas iniciais da biografia dos Titãs e o texto é muito melhor, pois parece ser bem mais pesquisado e trabalhado. E ironicamente é de uma banda que nem tenho muita afinidade, mas contém ótimas histórias. Pesa também que o livro tem 400 páginas ao contrário do Sepultura com 200. Mesmo assim o livro do Sepultura é um bom painel geral da banda de maior reconhecimento internacional.


posted by RENATO DOHO 12:12 AM
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quarta-feira, junho 09, 2004
Doze É Demais (Cheaper By The Dozen)

Boa surpresa. Steve Martin não tem se mostrado exatamente em estado de graça em seus últimos filmes (Droga Da Sedução, A Casa Caiu), desde Os Picaretas ele não acertava como protagonista. O diretor, Shawn Levy, vinha do fraco Recém Casados. Mesmo assim eles acertam desta vez. O filme da década de 50 baseado no mesmo livro foi um sucesso, só que a história era outra. A história do casal com 12 filhos é real e o livro foi escrito por dois dos filhos, mas não há semalhanças com a trama que agora atualiza para mostrar o conflito de pais que tentam ser bem sucedidos na carreira e no lar. É tanta gente que dá até pra se perder, mas tirando umas 2 crianças da família todos os outros são bem caracterizados. Houve o reforço de se chamar astros jovens em ascenção. Tom Welling de Smallville. Hilary Duff de Lizzie McGuire (e também cantora tentando o sucesso). E Ashton Kutcher de That 70s Show (trabalhou com o diretor em Recém Casados e não recebeu crédito neste). Welling está bem, sendo seu primeiro longa. Duff está no filme para ser uma graça e não complica. Kutcher, por sorte, está engraçado. Bonnie Hunt faz um bom par com Martin. Paula Marshall e Alan Huck aparecem pouco como os vizinhos. Se lembrarmos que Wayne Knight (o Newman de Seinfeld) faz uma participação especial - curiosidade: muito mais magro atualmente - quase todo mundo vem da televisão (até Martin com o Saturday Night Live)! Nada muito novo na história, mas há momentos bem engraçados com outros já vistos, mesmo assim não ruins. E também soubesse dramatizar certas passagens focando mais no casal, no filho mais velho (Welling) e na ovelha negra da família (o ruivinho). Ao final temos outtakes que acho sempre importantes em filmes assim, pois mostram a interação dos atores e o clima das filmagens. É claramente um filme pró-família e isso não é novidade nenhuma vindo de um livro que celebra isso na vida real. Bom, meus avós maternos tiveram 10 filhos e acho que poderiam se identificar com essa família caso estivessem vivos. Pena que o dvd nacional é pelado de extras enquanto lá fora há aúdio do diretor e outro dos filhos, cenas adicionais e making of pela visão do diretor (que seria ideal presenciar a interação de todos no set para a criação do ambiente familiar propício). Quem sabe os extras apareçam numa edição de venda (a Fox faz isso às vezes).



posted by RENATO DOHO 1:53 AM
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terça-feira, junho 08, 2004
Ensaio De Um Crime (Ensayo De Un Crimen)

Ótimo filme da fase mexicana de Luis Buñuel. Mesmo comportado Buñuel coloca aqui e ali ótimas idéias sobre o desejo e a normalidade. O sonho se faz presença constante. Melhor não falar muito do que se trata para quem não viu; o mote do filme, por exemplo, é ótimo, mas se comentado estraga o final. Belas mulheres escolhidas, cada uma peculiarmente representando os tipos que fascinam Buñuel (e o protagonista).

No Silêncio De Uma Cidade (While The City Sleeps)

Filme de Fritz Lang que retoma o tema do assassino sexual de M, só que aqui em outro tipo de registro. Uma disputa na redação de um jornal faz com que haja uma corrida à procura do criminoso que anda atacando mulheres pela cidade. Bom elenco e boas sacadas, mas no geral o filme é apenas bom, corretamente conduzido.

Suplício De Uma Alma (Beyond A Reasonable Doubt)

Outro filme apenas bem realizado por Fritz Lang. Aqui a trama faz lembrar o recente filme de Alan Parker, A Vida De David Gale, falando da pena de morte. A história, vista hoje, é previsível, só que seu final é ambíguo se considerarmos a opinião de Lang ser contra a pena de morte (no de Parker há um ataque mais forte ao final, enquanto em Lang parece justificar por vias tortas o ato). Dana Andrews foi o ator principal deste e do anterior, realizados no mesmo ano. Se a construção de tomadas e cenários é interessante, além de ter um protagonista curioso no que diz respeito a certas prioridades, no geral o filme me soou envelhecido. Último filme americano de Lang, considerado por uns o seu pior e por outros (franceses, quem mais?) o melhor noir feito. Pra mim nem 8 ou 80. Há um bom texto que dá uma geral nos filmes de Lang
aqui.

Curiosidade: na lista de 10 melhores de 1957 da Cahiers Du Cinema Suplício ficou em nono lugar e o de Buñuel em quinto.

Kite

Anime quase sendo um hentai (por ter cenas de sexo) com muita violência e ação, só que curto (50 minutos). A animação não é de grande qualidade gráfica (mas há bom uso de cores), o que chama atenção mesmo é a perversa história de vingança misturada com ação vertiginosa (e exagerada) e distúrbios sexuais (pedofilia em destaque). O final é intrigante pois é bem misterioso, podemos pensar em vários finais após o final oficial. Poderia ser mais longo para desenvolver mais os personagens e ter pelo menos mais uma grande seqüência de ação.



posted by RENATO DOHO 11:28 AM
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sábado, junho 05, 2004
Sopranos

Somente agora pude ver a primeira temporada desta famosa série. Por não ter HBO não pude acompanhar e perdi as muitas vezes que passou no SBT (mas já tinha visto alguns episódios da terceira temporada em que Annabella Sciorra participou). Vendo a temporada inteira (apenas 13 episódios de uma hora cada) deu pra ter uma noção geral do fenômeno que a série criou.

Ao focalizar a vida de uma família mafiosa de Nova Jersey seja nos negócios ilegais quanto na vida familiar a série se diferenciou ao botar o protagonista, Tony Soprano, tendo uma crise de meia idade e indo se tratar com uma psiquiatra. A própria série então se bota em auto reflexão, consciente do que é (os personagens sempre citam filmes sobre mafiosos) e mostrando aspectos outros do que tradicionalmente é mostrado nesse gênero.

O ritmo da série é lento. É necessário uma vontade do espectador em primeiro conhecer os personagens e depois querer saber como se desenvolverão, pois não haverá ganchos que o faça querer ver o próximo episódio. Cada um é quase independente do outro, apenas nos 4 últimos da temporada que uma trama vai se desenrolando, provocando curiosidade do que vem pela frente.

Por ser da HBO há outras características que diferenciam das outras séries: não há uma censura, por isso palavrões e cenas mais fortes podem aparecer (violência e sexo); não há comerciais por isso não temos a estrutura de pequenos ganchos para manter a atenção do espectador entre intervalos, a narrativa flui do começo ao fim.

A família retratada (tanto a mafiosa quanto a pessoal) não é glamourosa, é um pouco acima do que seria uma classe média alta e os negócios ilegais não são volumosos, mas são pequenas contravenções, produtos roubados, sindicatos, jogo, etcs são mafiosos pé de chinelo se comparados aos de Nova York, não estão com os carros mais chiques e nem frequentam as festas mais badaladas.

As tramas procuram balancear o que acontece no consultório da psiquiatra com os problemas familiares de Tony e as negociatas mafiosas. Um assunto interferindo no outro. Se há previsibilidade em como certas histórias caminharão (como exemplo o do treinador de futebol das filhas do pessoal ou a entrada no mundo musical de um dos personagens) sempre há um diferencial nas resoluções.

O elenco é muito bem escolhido com pessoas, na época, pouco conhecidas. James Gandolfini é o destaque, díficil depois da série não o confundí-lo com o personagem. Temos ainda a volta de Lorraine Bracco (que há tempos era para mim uma mulher madura muito atraente e continua assim). Edie Falco, uma revelação e que fui admirá-la ao vê-la em Terra Do Sol de John Sayles. Steve Van Zandt em sua estréia como ator, mais conhecido como o guitarrista da E Street Band do Bruce Springsteen. Drea de Matteo que foi conquistando espaço como a namorada de Michael Imperioli. Fora os capangas, o tio Junior e a mãe de Tony.

A série bateu recordes de premiações na primeira temporada que se extendeu para as temporadas seguintes, chegando ao ponto de muitos nem se entusiasmarem ao serem indicados em anos que Sopranos concorria pois a série ganhava todas.

Atualmente a quinta temporada acabou. Houve uma pausa de um ano entre a quarta e quinta devido à problemas salariais. Não sei se haverá uma sexta temporada.

Alguns diretores das temporadas seguintes: Lee Tamahori, Mike Figgis, Rodrigo Garcia, Steve Buscemi e Peter Bogdanovich.

As escolhas musicais são boas, e como são poucas há uma importância cada vez que uma aparece. Uma canção do Bon Jovi aparece num episódio, tendo até referência na fala para valorizar as "coisas da terra", o que não deixa de ser verdade, já que é uma banda de italo-americanos de Nova Jersey. No último episódio toca State Trooper de Bruce Springsteen. A famosa máfia musical de Nova Jersey existe hehehe Jon Bon Jovi tentou aparecer na série já que é uma de suas favoritas (é a favorita de quase todo morador de Nova Jersey), mas David Chase (o criador) não quis por Jon ser muito famoso, ainda mais em NJ, e só poderia aparecer como ele mesmo e não um personagem.

Na caixa de dvds da primeira temporada há extras como pequenos making ofs e uma boa entrevista de David Chase com Peter Bogdanovich (que entra na série como ator nas temporadas seguintes) de uns 77 minutos. Uma conversa muito legal entre os dois, com a já conhecida competência de Bogdanovich em entrevistas (sempre citando suas conversas com John Ford, Orson Welles e Howard Hawks).

Agora é esperar pelas caixas das temporadas seguintes...


posted by RENATO DOHO 12:01 PM
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quinta-feira, junho 03, 2004
Conexões

Peguei alguns álbuns completos recentemente:

Badlands - A Tribute To Bruce Springsteen's Nebraska
You Are The Quarry - Morrissey
Hopes And Fears - Keane
Borrowed Heaven - The Corrs
End Of The Summer - Dar Williams
The Beauty Of The Rain - Dar Williams

Os últimos três agradeço ao amigo Pablo disponibilizá-los para mim. Ótimos álbuns.



Então, Dar Williams eu conheci no álbum tributo ao Nebraska do Bruce Springsteen. Ela fez a cover de Highway Paltrolman (por acaso a música que inspirou Sean Penn a fazer The Indian Runner). Primeiro achei que ela era um homem, pelo seu nome. Depois ouvi uma bela cantora. Aí quando pego o mais recente álbum dela, The Beauty Of The Rain, quem eu vejo que cantou numa faixa? Alison Krauss! Justo ela que ando ouvindo bastante. Adoro essas ligações que eu não esperava, parecem até confirmar escolhas. Béla Fleck também participa e ele fez participação recente no álbum da Nelly Furtado. Nelly que fui conhecer por ter abrido alguns shows do U2. E assim as conexões continuam...


posted by RENATO DOHO 6:36 PM
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Hugh Jackman no Inside The Actors Studio

Impressionante é o que diria de imediato. Primeiro, sou fã do cara, mesmo tendo feito poucos filmes e destes nenhum ser realmente extraordinário (antes de X-Men ainda não vi nenhum). Era mais uma empatia com a presença fílmica dele. Mas, agora deu pra perceber o talento dele ao ver partes das peças que fez onde canta e dança. É do palco que surgiu e foi reconhecido. Uma coisa que na hora se percebe de diferente é a simpatia dele, é muita e até exagerada e se não falasse o fato de não ser gay daria até pra desconfiar (ainda mais por estar interpretando um na Broadway). Nada do jeito turrão de poucos amigos de Wolverine/Logan, mas sim alguém extremamente entusiasmado (explicado pelo fato de numa peça os atores perguntarem que droga ele usava, até conhecerem a mãe dele e saberem que a coisa era genética e não quimicamente induzida). Aliás, a mãe e a esposa dele estavam na platéia. E vendo ele atuar no palco que percebemos como ele ainda pode ser muito mais bem utilizado no cinema e como as atuações dele até agora mostram versatilidade por não terem nada a ver com sua personalidade real. Uma cena de um filme pré-X Men mostra que dramaticamente ele já fez coisa boa (não sei se o filme é Paperback Hero ou outro). No programa ele cantou e dançou. Eis um ator que merece qualquer tipo de estrelato que venha a ter no futuro.


posted by RENATO DOHO 6:06 PM
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O Dia Depois De Amanhã (The Day After Tomorrow)

Primeiro bom filme que vejo de Roland Emmerich, o que não quer dizer muita coisa vindo de alguém que fez ID4, O Patriota, Stargate, Godzilla e Soldado Universal (dos que vi e que não gostei de nenhum). O filme é uma enciclopédia de clichês e uma história que enrola demais (o filme poderia ter uma hora e meia), mas por algum motivo não deixa que sejam fatores críticos para a apreciação do filme. Geralmente essas histórias "bigger than life" têm estorinhas particulares que movem a narrativa (aqui no caso a relação pai e filho). Ao balancear bem o geral com os particulares (o início do romance na biblioteca, a mãe médica com o paciente, o pai buscando o filho e os pesquisadores no centro meteorológico) o filme não decai muito e consegue ser no mínimo competente nestas estórias. O destaque fica para Emmy Rossum, uma gracinha que tem um belo sorriso e ao mesmo tempo uma cara de assustada e frágil. Fica engraçado Jake Gyllenhaal ter algo com ela, já que ela parece ser muito criança ainda. As esperadas devastações são boas, mas curtas demais (quase tudo tinha sido visto no trailer, que ainda por cima revelava muito da trama quando poderia deixar mais no suspense). Só NY e LA são mais focadas... Curioso a escolha do ator para o vice presidente (a cara do Dick Cheney) e a questão do refúgio no México (além da mensagem de agradecimento ao "então" chamados países do terceiro mundo). O terceiro mundo é a salvação! hehe Estranho que os personagens achem que o mundo vai acabar quando pelo que apresenta os países abaixo do equador pouco sofreriam (até os astronautas não vêem algo que não seja o continente norte do planeta!). Oras, América Do Sul ficou intacta pelo visto, o mundo não acabou! hehehe O cara da biblioteca que salva a bíblia de Gutemberg é inusitado e legal, pena que pouco explorado. Ainda falta explicação pra um monte de coisas, mas a principal é a inútil jornada do pai para achar o filho que serviu para... nada! Se o pai não viesse eles estariam bem na biblioteca, o sol sairia e os helicópteros resgatariam os sobreviventes (como aparece no final - que é bom, mostrando que eles não foram os únicos sobreviventes, o que seria ridículo, mas bem passível de acontecer num filme - mas esquecemos que os sobreviventes são novaiorquinos que sobrevivem à tudo!!!). Então serviu para o pai deixar morrer seu grande amigo! Ah era esse o motivo hehehe Só cumprir uma promessa é uma desculpa bem da esfarrapada, mas como o filme frisa sempre, os americanos "don't leave any men behind", que é regra número 1 do exército. Mas no final o filme é uma boa diversão com alguns pequenos toques ambientais (dava pra ver claramente a satisfação de terceiro mundistas da platéia, o que não deixa de ser irônico já que deram dinheiro é prum filme de primeiro mundo, talvez num multiplex de lá também e pensando estar se vingando dos imperialistas americanos, pensando "vcs vão precisar de nós um dia" hahaha bem espertos esses gringos!).


posted by RENATO DOHO 9:35 AM
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