RD - B Side
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"Sometimes meaningless gestures are all we have"

quinta-feira, dezembro 21, 2006
Cassino Royale (Casino Royale)

Eu já não esperava nada deste Bond e acabei saindo com a mesma impressão. Deveria ter seguido meu instinto que me fez nem ver o anterior (Um Novo Dia Para Morrer) no cinema. Melhor ver em dvd mesmo, ao menos nos extras pode ter algo mais interessante... Do começo: prólogo em p&b é bem sem graça, se antes ao menos alguma ação isolada e espetacular era esperada agora nem isso, não há nem um bom gancho para que se encare isso como uma abertura de série (como Tarantino usou em Pulp Fiction). A abertura conta com uma canção insossa de Chris Cornell (fui pensar e acho que desde A-Ha que não há uma abertura musical boa mesmo, que empolgue e vire hit, Licence To Kill chegou quase lá). Depois há uma ação que apesar de movimentada não é nada excitante, parecia que Rob Cohen estava na direção, introduzindo modinhas da época na ação, no caso o Le Parkour (até a sempre oportunista Madonna não deixou de colocar isso no seu recente clipe). Comecei a perceber duas coisas, uma irônica, ter Daniel Craig (que supostamente atua bem) para fazer um dos Bonds que mais corre e fica calado dos últimos tempos e que há um atraso de algumas décadas no filme, os brutamontes que resolviam na porrada eram da década de 80! Parece que só agora botaram um Bond que emula os actions heroes dos anos 80 (Schwar, Sly, Norris, Willis), pouca inteligência e mais músculos. Quando chegamos na cena do aeroporto estamos mais para Duro De Matar do que 007 (a profusão de machucados em Bond é algo tão John McClane...). E aquele mini-vilão da seqüência com sua cara de mármore mais parece um T-1000. Metade do filme e só agora entra a trama do cassino, é um outro filme. Eva Green além de atuar mal parece constrangida de estar no filme (e em muitas cenas, feia, ainda mais se comparada com a Caterina Murino), seus diálogos com Bond parecem a única contribuição de Haggis no roteiro. Bond se apaixonar por ela em minutos, já que ele mais passou horas jogando pôquer que com ela, é quase uma brincadeira. Ele parecia mais íntimo com a primeira conquista, aquela bem mais gostosa que logo morre. Sendo essa uma das primeiras aventuras do agente 00 fica estranho a história se passar em 2006, como se todas aquelas aventuras do passado na realidade fossem do futuro. O vilão (vilão?) é meio ridículo: chora sangue, é asmático, treme nas bases com os africanos, perde feio no pôquer, não consegue uma forma mais inteligente de se ganhar míseros 100 milhões de dólares (o Tom Cruise pode emprestar se quiser), tem prazer em esmagar sacos alheios e morre de forma banal. Aliás, de uns tempos pra cá esses filmes que necessitam de vilões resolveram aposentar a idéia de um vilão que vai do começo ao fim sendo construído para o protagonista ter um adversário à altura para o confronto final; nos tempos atuais há vilões e vão se sucedendo, como se para mostrar a "complexidade" das coisas e fazendo com que o último vilão seja um mero rascunho que o espectador nem se importa de ver destruído ao final (quando não fazem o vilão ser o chefe vira-casaca do protagonista). O charme sumiu, a inteligência inexiste, um agente secreto atual nem parece que sabe mais do que atirar e lutar (esqueçam as centenas de treinamentos para as mais diversas habilidades, muitas delas exigindo o cérebro) e as ações são bem mundanas, coisa que um mercenário serveria mais ao intento. Só Sydney Bristow mesmo para salvar tudo, nem Jack Bauer serveria, ele seria mais o capataz da ação ao final da operação. Falando em agentes sou bem mais o Tom Quinn na ótima série Spooks, eis um grande agente britânico! As cenas de ação se não são excitantes não chegam a ser ruins, mas isso é mérito mais do Alexander Witt (segunda unidade em Falcão Negro Em Perigo, A Identidade Bourne, Uma Saída De Mestre) que do Martin Campbell (que só consegue inutilizar Jeffrey Wright no elenco). A música constante de David Arnold é irritante. A cena final, pelo menos, é boa como pretexto para se soltar a célebre frase.


posted by RENATO DOHO 12:02 AM
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