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"Sometimes meaningless gestures are all we have"

quinta-feira, maio 01, 2008
Ensinando A Viver (Martian Child)

Esse filme que reúne os irmãos Cusack (John e Joan) traz um tema batido da adoção e adaptação do adotado com sua nova vida. O diferencial aqui é que o garoto diz e acredita que veio de Marte, por isso quase não pega sol, anda com um cinto anti-gravitacional, só come um certo tipo de cereais, etcs. Também não é um casal como sempre, mas quem o adota é um jovem viúvo que, em parte, faz isso como homenagem à esposa que queria adotar. Um dos problemas (insolúveis?) desse tipo de trama é que a fantasia criada ou é verdadeira ou é falsa, ou o garoto é de Marte mesmo ou não é e isso, se é a coisa vira uma ficção que distancia o espectador dos dilemas apresentados, é a exceção, é "coisa de cinema", mas se não é a fantasia vira uma metáfora barata. Ao menos sabemos que o caso é baseado num fato real, o que alivia um pouco a barra da história, não foi uma mera invenção vinda da cabeça do roteirista. Mesmo assim fica-se com o desejo que as duas partes pudessem ser verdadeiras ao mesmo tempo e como isso não ocorre vem a frustração. E pra quem curte, a Amanda Peet participa, o que sempre ajuda.

Traídos Pelo Destino (Reservation Road)

Retorno da parceria entre o diretor Terry George e o ator Joaquin Phoenix após Hotel Ruanda. Como não vi, ainda, o filme anterior, não sei exatamente onde os erros e os acertos são reprises, se houve evolução ou não. Só dá pra notar que pelo elenco esperava-se um resultado um pouco melhor. A premissa, de certo modo, é interessante, mas duas coincidências grosseiras demais já estragam o clima - não basta haver uma ligação entre as famílias, mas duas?! Aí que ficamos com a impressão de teatro armado, com moral da história ao final. Fosse mais realista, sem forçar ligações, o filme se beneficiaria bastante. A escolha de cada ator ao menos se mostrou acertada. Joaquin Phoenix passa essa progressiva atitude auto-destrutiva enquanto Mark Ruffalo tem um ar de medroso mesmo. Jennifer Connelly e Mira Sorvino estão apenas corretas, destacando uma cena em que realmente sentimos a dor de Connelly. Elle Fanning, cada vez mais, mostra como está melhorando, é dela que vem todo o sentimento do filme, mesmo que não seja muito explorada, o caos dos primeiros dias, o respeito posterior, a saudade, etcs. O talento parece ser de família mesmo. O final é meio exagerado e falso, e até anti-climático, o conflito não era aquele, mas sim como as pessoas lidam com suas responsabilidades após se assumirem, isso o filme deixa de lado...

O Jogador (Pistol Whipped)

Um tempinho que não via um filme da safra recente do Steven Seagal e parece que esse é acima da média. A primeira coisa boa é que não vemos o Seagal fazendo coisas que não são de sua alçada, ele vinha usando efeitos especiais, cabos e dublês evidentes nas cenas de ação; aqui são apenas umas lutas básicas e tiroteio. As cenas de ação aparecem mais também, inclusive em seu final num longo confronto no cemitério. Seagal continua gordo e o personagem é sempre o mesmo, alguém que já foi da lei, só que no filme ele se mostra em estado mais deplorável por causa do jogo e da bebida, negligenciando a filha e aceitando ser um matador de aluguel. Sem procurar um sentido na história de repente o grupo mercenário é do bem, mesmo que seja ruim em essência (uau, que filme complexo!). Há um gancho para seqüência.

Ligados Pelo Crime (The Air I Breathe)

Que filme ruim! E olha o elenco que essa ruindade conseguiu "cooptar": Forest Whitaker, Andy Garcia, Brendan Fraser, Sarah Michelle Gellar, Julie Delpy, Kevin Bacon, Emile Hirsch e Kelly Hu. Esse sim seria o Crash que todos malharam, pois a estrutura é um pouco parecida. Melhor nem falar como é o filme, para causar espanto diante do início dele, eu me perguntava se aquilo era à sério mesmo. Se citar algumas coisas que acontecem no filme não dá pra acreditar, só vendo mesmo, além de ridículas são absurdas e filmadas de modo histriônico, como se fosse uma super paródia. Pior que isso é ver no
imdb tanto nos comentários quanto nos fóruns que o filme é bem elogiado por boa parte de quem viu (a média geral é até alta, 7.7). Que é profundo, tocante, brilhante, etcs. E por causa da Sarah Michelle Gellar comparam com Southland Tales (receio de ver esse filme agora). Primeiro filme do diretor Jieho Lee (mais surpresa ainda ele conseguir financiamento e esse elenco logo de cara). Como essa gritante diferença de opiniões ocorreu também com o filme The Nines talvez eu é que não tenha entendido os filmes mesmo. Mas que eles são ruins são mesmo, mas de certa forma até exóticos, para serem vistos e odiados ao invés de meramente descartados.

posted by RENATO DOHO 7:04 PM
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