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"Sometimes meaningless gestures are all we have"

terça-feira, novembro 07, 2006
O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada)

Achei que não ia gostar, mas até que gostei. Não vi a tal interpretação da Meryl Streep que todos falavam, achei correta e só. A Anne Hathaway se mostrou até boa. Por um momento o filme quase cai na sedução da moda e só se recupera no final, só que se visto bem não há uma real crítica ao mundo da moda, a crítica vale para muitos outros empregos de competição podendo ser numa empresa, numa redação de jornal, na bolsa de valores, etcs. Caso realmente quisesse cutucar o mundo fashion outros argumentos e situações deveriam ter sido mostrados. Não é à toa que personalidades desse mundinho aparecem no filme que finge ser crítico, mas só reforça o status quo. Destaque para a coadjuvante que faz a primeira assistente, ela chama atenção pelo bom trabalho.

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine)

Todo o cenário armado pelo filme parece vir diretamente de um filme do Todd Solondz: menina estranha querendo ser miss, pai palestrante de auto ajuda, cunhado gay suicida, avô viciado, etcs. A família americana de subúrbio pronta para ser ridicularizada. E isso quase acontece, mas falta ao filme (ainda bem) um cinismo e amargor que Solondz tem de sobra. Os momentos de humor compensam (a melhor cena sendo da buzina com defeito, algo que independe de quem está sendo retratado ou ridicularizado). O final é meio Um Grande Garoto (tem até Toni Colette no elenco pra forçar a semelhança) com os adultos ajudando a criança no palco. E o diálogo de tio e sobrinho sobre Proust ajuda a dar uma visão mais humana das relações sem que para isso se sustente em posições como "sou freak mas sou feliz" ou "diante de outros freaks sou normal".


posted by RENATO DOHO 12:45 AM
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segunda-feira, novembro 06, 2006
Wood & Stock – Sexo, Orégano E Rock‘N’Roll



Divertida animação de Otto Guerra com os personagens criados pelo Angeli e dublagem de personalidades como Rita Lee (muito boa!) e Tom Zé. Como lida com assuntos adultos (drogas e sexo, principalmente) não tem no público infantil um alvo. O público jovem e adulto que curtirá, só que não sei se ele irá conferir justamente por ser um desenho. Fora a história principal de Wood e Stock outros personagens de Angeli aparecem em tramas paralelas que aqui e ali se juntam ao principal. A idéia da banda Chiqueiro Elétrico é ótima (não é que várias bandas deviam botar um porco como vocalista? soariam melhores). A trilha é bem legal, com várias canções da banda Júpiter Maçã. É um trabalho que merece ser apreciado (antes que saia de cartaz).

O Grande Truque (The Prestige)

Nada pior que um filme sobre mágicos saber qual o truque no meio da coisa. O filme tem seu interesse, mas tenta se sustentar em algo muito previsível (dá pra saber de cara qual o truque do personagem de Bale e o de Jackman, então as revelações e flashbacks soam ridículos). Scarlet meio perdida e jogada de escanteio. Boa presença de David Bowie e Michael Caine. A construção dos personagens é meio problemática: o personagem de Bale vira injustiçado e o de Jackman vilão? Desde quando? Até o final ainda simpatizava com o personagem de Jackman, mas toda a trama faz com que Bale vire o mocinho (sem nunca convencer), afinal a arrogância dele em dar o nó fatal na esposa de Jackman e outras trairagens (como a que faz Jackman ter problema em uma das pernas) parecem ser ignoradas ou relevadas... Até o fato dele enganar esposa e amante (fica claro que os irmãos se alternavam nos papéis não sendo fixo o que amava a esposa ficar com a esposa toda hora e com a amante idem) parece querer soar como normal ou justificável para ser um grande mágico (o tal do grande "sacrifício"). Podia ser bem melhor.


posted by RENATO DOHO 2:50 PM
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domingo, novembro 05, 2006
9



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posted by RENATO DOHO 11:10 PM
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quinta-feira, outubro 26, 2006
O Segundo Rosto (Seconds)

Num período de 6 anos, de 1962 a 1968, John Frankenheimer alcançou seu auge como cineasta. Realizou O Homem De Alcatraz, Sob O Domínio Do Mal, Sete Dias Em Maio, O Trem, Grand Prix e O Homem De Kiev. Feito extraordinário. Seconds faz parte dessa leva brilhante. A trama e o clima do filme lembram Além Da Imaginação começando pelos suspeitos telefonemas que um homem começa a receber de um amigo que achava estar morto. Mais do que isso é estragar as surpresas da narrativa. O filme lida muito bem com a questão de escolhas e liberdades, um questionamento existencial que leva o protagonista por caminhos quase surreais. O que queremos da vida? O que achamos que queremos da vida é realmente o que nos trará felicidade? Os condicionamentos sociais e comportamentais nos dão alguma escolha real? O começo já indica o nível de qualidade da coisa: Saul Bass fez a abertura, com trilha de Jerry Goldsmith e a magnífica câmera de James Wong Howe. O final não poderia ser mais impactante.

Um Só Pecado (La Peau Douce)

Um filme um pouco mais atípico de Truffaut lidando com o adultério. Há uma narrativa mais picada, com planos rápidos, uma ausência aparente de humor (mas os acasos que o protagonista enfrenta com a amante têm um humor negro de leve) e um final de impacto (que Truffaut não sabia se foi bem preparado, achava que parecia fora do tom do filme inteiro). O filme tenta inverter um pouco as situações para não ser mais um filme de traição: as cenas com a amante são mais líricas e suaves enquanto que com a mulher passam algo mais carnal e emocional. As atrizes escolhidas espelham bem esse enfoque, Françoise Dorléac (irmã de Catherine Deneuve que morreu aos 25 anos), a amante/aeromoça, é mais delicada e frágil, já Nelly Benedetti, a esposa, é forte e com belo corpo ressaltado. O ator principal, Jean Desailly, passa bem a insegurança e indecisão diante da situação que cria, não sabe sair de momentos delicados e é impulsivo quando não deve. Ao fim é um bom Truffaut.


posted by RENATO DOHO 6:08 AM
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segunda-feira, outubro 23, 2006
Dália Negra (The Black Dahlia)



Impressionante como De Palma consegue, a partir de material alheio (o livro de James Ellroy), retrabalhar, de acordo com sua visão, todo um mundo. E isso se evidência nas impressões gerais de quem conhecia a obra: a adaptação é infiel. Caso semelhante ocorreu com A Fogueira Das Vaidades onde a infidelidade lhe custou muito mais caro. Mas em ambos os casos o que fica é outra grande obra numa carreira extremamente atacada, mas nunca ignorada.

Se líamos aqui e ali comparações de Femme Fatale com Mulholland Drive de David Lynch em Dália Negra além de ter todo um parentesco com essa obra não dá pra não deixar de ver um primo em A Estrada Perdida.

O que são Bucky e Lee se não faces (complexas) da mesma pessoa (moeda)? Se de início isso é quase óbvio pelos apelidos Fogo e Gelo que recebem, os sobrenomes parecidos e o triângulo amoroso com Kay, as coisas vão entrando numa espiral de interligações que trazem à mente a tira de Moebius que Lynch trabalhou em Estrada Perdida. A tira, quem não sabe, é apenas o que seria um círculo comum só que uma das pontas é virada e colada na outra ponta, impossibilitando assim uma noção do lado exato que estamos vendo (dentro ou fora). Quando vamos respondendo algumas questões do filme de quem realmente estamos falando?

- quem se interessa pelo caso Dália e começa a ficar obsessivo com isso?
- quem se aproxima de uma suspeita que muitos dizem lembrar a falecida?
- quem tem o sorriso mais fácil como o homem que ri?
- quem esconde o sorriso pelos dentes perdidos?
- quem salva a vida de quem?
- quem engana quem?
- quem realmente morre? e quem o mata?
- quem “resolve” o caso?

Claro, racionalmente temos algumas respostas claras, mas totalmente incoerentes, como é incoerente o fato de Madeleine não se parecer com Elizabeth como todos dizem durante o filme. E isso é uma das coisas que mostram claramente o gênio de De Palma em subverter o próprio filme e transformá-lo em algo além de uma adaptação.

É apenas quando Lee morre que Bucky se posiciona, mas sendo Madeleine que mata Lee e é morta por Bucky e sendo ela “semelhante” à morta quem realmente, em essência, sobreviveu e morreu ao final? E sem acrescentarmos George Tilden (a escolha de William Finley é excelente no que ele representa no filme e na obra de De Palma) que joga muito mais coisas e pessoas nessa intricada teia. Uma teia muito similar ao que ocorre em Missão Impossível (procura de identidade, agentes fantasmas, investigação, máscaras, falsos chefes, falsas percepções) ou Dublê De Corpo ou Vestida Para Matar ou...

As cenas de ensaio/teste onde o próprio De Palma entra no filme (através da voz do diretor) reforçam as idéias de representação (acrescentando aí o filme pornô caseiro achado) tanto da imagem como da idéia de cinema de Hollywood e o jogo entre diretor e público.

Somente com revisões é possível apreciar todos os lados da questão, uma de cada vez para depois juntar tudo de novo, como na primeira vez. O filme já trabalha com isso ao embaralhar o que realmente trata com o que se acha que ele trata (a morte de Elizabeth). Ele não trata mais da dualidade de Bucky e Lee? Ou Bucky entre Madeleine e Kay? Ou Madeleine com Elizabeth, sua família e Bucky e Lee? Ou a cidade de Los Angeles e o submundo (ou base) de suas fundações, concretas (as construções) e sociais (a elite, o cinema, a polícia)? Ou Elizabeth e Bucky em suas trajetórias onde acabam corrompidos e vitimizados por Hollywoodland? Ou George em meio à tudo isso?

Em cada lado muitas coisas podem ser reveladas que não foram de imediato. O mesmo que acontece com Bucky durante a investigação, onde ele vai ligando coisas aparentemente soltas e rearranjando, percebendo que muitas vezes sua primeira percepção foi errônea (quadro final de Femme Fatale?).

Alguns personagens e cenas exemplificam isso. A ligação da descoberta do corpo de Elizabeth com o tiroteio a seguir não é mero exibicionismo técnico, mas sim um encaixe entre coisas que aparentemente não têm ligação (e isso é mais do filme que do livro). Mesma coisa com a introdução da família de Madeleine toda feita em pela visão subjetiva de Bucky. Madeleine e Bucky e Lee conseguem superar um previsível triângulo ao se relacionarem de forma metafórica. Madeleine com seu desejo de se relacionar com quem lhe era parecida (Elizabeth) se revela mais um desejo de morte, pois ela se realiza ao matar Lee e também George (que matou Elizabeth), sendo que Lee ali é Bucky (para não complicar mais não vamos pensar que Bucky nessa cena não consegue evitar que ele mesmo morra, ou melhor dizendo, um lado dele não morra). Tanto que ela parece ter certeza que o Bucky ao final não tem mais o lado Lee capaz de matá-la (o que vemos, é um erro). Gostei das associações que fizeram com o BD marcado nas costas de Kay. Seria Bobby DeWitt, Dwight Bleichert, Black Dahlia, Body Double, ou Brian DePalma?

Óbvio que a cada tentativa de se ficar desenrolando as linhas narrativas ou tentando seguir uma linha vamos acabar enrolados como na tira de Moebius. Onde é o começo, o fim, o meio? Que foi o erro que Estrada Perdida também sofreu dos espectadores ao tentar ligar os dois personagens masculinos com os dois femininos que na verdade são as mesmas pessoas. O igual não é igual, mas também não é diferente.

A cena final é brilhante nessa confusão de personalidades: Bucky em meio à duas visões, sendo que uma delas não é exatamente a dele (Lee sim teria mais traumas com o corpo de Elizabeth, um dos motivos de sua obsessão com o crime e a vítima). E lembrando que Kay em acesso de fúria disse antes que Bucky acabaria se tornando Lee mais nos faz pensar quem está ali diante da porta. Bucky e Lee. Morena e Loira. Escuridão e Luz. Gelo e Fogo. Céu e Inferno. Brian De Palma.


posted by RENATO DOHO 5:28 PM
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sexta-feira, outubro 20, 2006
O Complô



Último trabalho do grande Will Eisner.
Introdução de Umberto Eco.
Capa dura.
Edição de luxo.
Obrigatório!


posted by RENATO DOHO 11:26 AM
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quinta-feira, outubro 19, 2006
O Ano Em Que Meus Pais Saíram De Férias



Trailer

posted by RENATO DOHO 6:30 PM
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