segunda-feira, setembro 30, 2002
Alto Risco (When The Sky Falls)
Bom filme que tem cara de telefilme, por isso fica faltando algo mais, ir mais fundo, mais forte para mostrar as coisas. A história é inspirada um personagem real e só fui saber quem é no final, daí lembrei que Cate Blanchett está fazendo um filme baseado nessa pessoa, o que vai ser interessante de se ver, já que Alto Risco apenas toma algumas coisas da vida real da pessoa, por isso não tem o mesmo nome no filme. Joan Allen faz muito bem uma jornalista que declara guerra contra os chefões do tráfico de drogas na Irlanda. Vi em vídeo, mas sei que no dvd há entrevistas e um documentário sobre a jornalista real, Veronica Guerin (esse o título do filme da Cate que está sendo dirigido pelo Joel Schumacher), dá até vontade de pegar o dvd par ver esses extras. Aguardo o filme da Cate, mesmo com Schumacher no comando, pelo talento da atriz e para conhecer mais a vida desta brava jornalista.
Uma Paixão Em Florença (Up At The Villa)
Filme passado na época da Segunda Guerra com Kristin Scott Thomas indecisa em aceitar a oferta de casamento de um homem mais velho e importante, que não ama, mas trará segurança e estabilidade para ela que já tem receio de ficar solteirona. Até que conhece o americano Sean Penn. A trama poderia ir num caminho bem conhecido a partir desse ponto, mas uma atitude dela com o personagem de Jeremy Davies muda as coisas e leva o filme para um caminho de suspense. O resto é previsível, mas tudo conduzido com competência.
Monstros S.A. (Monsters Inc.)
Mais uma produção divertida da Pixar, mas inferior a Toy Story. As dublagens estão muito legais com Billy Crystal e John Goodman. A história é curiosa, uma fábrica de monstros num outro "mundo" onde a energia gerada pelos gritos de sustos das crianças do nosso mundo faz com que as coisas continuem funcionando bem para os habitantes "monstros". Até que uma garotinha passa para o mundo dos monstros causando confusão. O mais interessante é que o dvd é duplo e vem coberto de extras. Um passeio muito revelador na Pixar (que local ótimo para se trabalhar), o processo de feitura de toda a animação, a história do argumento contada através de uma narração e esboços (a história original é muito diferente do que acabou nas telas, vale ver), dois curtas da Pixar e vários outros bônus. Vale pelos extras.
Apocalypse Now Redux (Idem)
O filme ficou melhor com as cenas inéditas! Dá um todo mais coeso, só acho que a parte da fazenda dos franceses se alonga demais, mesmo que cena importante. A imagem está espetacular. E as mais de 3 horas passam num instante. Desta segunda vez que vi o filme achei o final bem similar à Conan O Bárbaro do mesmo Milius. A trilha não tinha notado antes e desta vez achei um pouco datada, lembrando as trilhas de Giorgio Moroder na década de 80.
Porque Choram Os Homens (The Man Who Cried)
Bonita produção. A diretora Sally Porter tem o costume de contar a história mais por imagens que por diálogos, o que é sempre bom; pena que a história não alcance o poder que poderia ter tido. O elenco está muito bem, Christina Ricci, Cate Blanchett, John Turturro e o calado Johnny Depp. O finalzinho parece rápido demais para concluir algumas coisas.
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quinta-feira, setembro 26, 2002
Casamento Grego (My Big Fat Greek Wedding)
Filme divertido e agradável, sucesso inesperado por ser independente, pena que isso queira dizer que o filme não seja inovador, mas familiar, como um seriado de tv. As minorias em particular vão se identificar (gregos, turcos, japoneses, judeus, etcs) com os tipos e barreiras com relacionamentos inter-raciais. As particulariedades aqui é o que tem de mais divertido, no caso as particulariedades gregas.
Malditas Aranhas (Eight Legged Freaks)
Besteirada que tem momentos engraçados, mesmo assim uma grande besteirada. Bom, creio que é isso hehehe
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quarta-feira, setembro 25, 2002
Sinais
O filme começa bem, com ótimo tema musical e vai sendo conduzido com competência durante a projeção. Faz lembrar na hora os filmes A Noite Dos Mortos Vivos e Os Pássaros. O jeito do filme parece ser de filme independente, tanto nas atuações tão comuns nesse já formado gênero, com suas fórmulas e características próprias. As falas pausadas, os atores falando para a câmera, os poucos cenários, a câmera parada... Estranho saber que o filme custou muito para parecer barato. O tema dos círculos perdeu sua força há anos, mas retomá-lo não chega a ser uma falha. O filme vai se construindo com alguns momentos de tensão (não exagerados e nem tão tensos assim), cenas cômicas e boas cenas com os atores, como a da conversa dos irmãos sobre os tipos de pessoas no mundo. Aí chegamos ao final e aí que chega a decepção. A partir do momento que eles saem do porão começa a acontecer várias coisas que estraguam quase todo o filme. O et parece ter saído de uma produção D, sem ao menos ter qualquer noção do que se pode se chamar "realismo" vindo de milhares de relatos através dos anos, na verdade parece mais um vilão, um monstro de outro mundo, e o que é pior, mal feito. A própria idéia de uma invasão chega a ser cômica nos dias de hoje, mas tolerável. Depois o pequeno flashback que dará as revelações para o final, à lá filmes de Agatha Christie, como em O Sexto Sentido, só que naquele filme as cenas em reprise ajudam a dar um sentido, neste só fazem dar a "grande" idéia de Joaquim usar um taco de beisebol no et... Logo depois a água é a grande arma contra um ser alienígena superior (afinal conseguiu chegar a outra civilização). E tudo termina para nos dizer que o padre já sem crenças voltou a encontrar sua fé! Eis o motivo de toda a invasão, foi preciso aliens invadiram nosso planeta para um padre voltar a ter fé! Fé em quê pra começar? Que os seres humanos podem vencer os "invasores", os "estrangeiros", os não-americanos? Caramba! Parece o filme do Harrison Ford "Segunda Chance" onde um advogado frio e distante tem que tomar um tiro na cabeça para melhorar como pessoa... Ridículo pegar esse tema da ufologia pra dar neste final. Seria pegar o Holocausto pra contar uma história de amor que nos diz que o amor perdoa ou coisa assim. Só de pensar em como os finais de A Noite Dos Mortos Vivos (com conteúdo político e social) e Os Pássaros (filosófico e sobre a humanidade) são poderosos pra ver o final capenga de Sinais. O filme mais fraco de Shyamalan, mesmo que tenha alguma qualidade em 2/3 do filme. No meu próprio olhar e dos espectadores na sessão estava entalado na garganta ao final: fala sério!
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terça-feira, setembro 24, 2002
Fearless
Óbvio que olhando muito pra Elisabeth Shue nessa posição aí embaixo tive que relembrar de Sem Medo De Viver! Pra não ficar em vão o post, dois textos legais sobre o filme, um falando da transcedência e o outro do diretor de fotografia Allen Daviau falando das filmagens.
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sexta-feira, setembro 20, 2002
O Invasor
Excelente!
Beto Brant se supera a cada filme! Por onde começar? O filme é atual, forte sobre o tema da ética, vai por todos os ambientes com grande realismo (eu sempre senti esse senso de real no Brant não sei explicar por quê, mas acho que descobri algo nos extras do dvd, comento a seguir), trilha sonora ótima (vou baixar algumas músicas se achar), fotografia habilidosa com muita câmera na mão passando por várias luzes em planos seqüência, edição criativa, ótima história e atores em ponto de bala. Paulo Miklos está muito bom, tirando do personagem o clichê do elemento ruim que chega, mas dando a ele toques legais, tirando dele a coisa de "vilão". Alexandre Borges sempre competente (só acho que ele tem aquele jeito mesmo ou só interpreta assim) e Marco Ricca é o meu favorito, desde um curta antigo (Batiman e Robim acho) admiro esse ator, muito legal ele ter essa oportunidade e fazer ótimamente o personagem dele (ele e Paulo José e daqui a pouco o Matheus Nachtergaele são daqueles que chegam perto de eu ser fã declarado a ponto de buscar uma filmografia e ver cada filme, ainda não fiz isso com nenhum ator nacional). O resto do elenco também está bem (pena que a Chris Couto some do filme).
O dvd está muito bom, com 2 documentários onde vemos mais o jeito singular do Beto. Ele é bem diferente da imagem tradicional de cineasta, seus filmes não remetem a outros, seu estilo não lembra outros, parece que ele não é contaminado por outros filmes, a coisa de explicar o filme e do pensamento "crítico" também não é a onda dele, nem para a imprensa e nem para técnicos e atores. Parece mais um cara simples que faz filmes e isso é bem legal. Nos documentários vemos que o processo de filmagem do filme foi bem de "invadir" os lugares e filmar, isso dando mais realismo às cenas e desconcertando um pouco os atores. Esse realismo parece palpável, sem truques ou uma estética publicitária (ou a atualmente chamada cosmética da fome ao retratar a periferia) nas luzes, ou nos cenários ou em truques de câmera. Marco Ricca mostra, de novo, nas entrevistas ser um ator consciente e inteligente. Beto não deu entrevistas para o dvd, o que acho bem a cara dele mesmo, podemos apenas vê-lo dirigindo ou fazendo caretas para a câmera hehe
Ainda há 2 clipes e os extras comuns de sempre.
Voltando ao filme... cacete, que final foda! Grande filme!
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quarta-feira, setembro 18, 2002
Charlotte Gray - Paixão Sem Fronteiras
Admito que não esperava muita coisa do filme, do que tinha visto e lido parecia aqueles dramas de guerra que nada acontece, mas tinha que ver pelos atores centrais já que sou fã. O filme foi bem criticado e agora depois de visto me pergunto por que. Sim, o filme tem falhas ao não explicar bem qual a função de Charlotte nas linhas inimigas e colocar todos falando em inglês, entre outras coisas, mas o que faz o filme sair da vala comum é o visual belíssimo conseguido por cenários, locações e figurinos, junto com interpretações firmes de Cate Blanchett (fotografada lindamente) e Billy Crudup. O filme tem bons momentos (Crudup gritando para uma fileira de caminhões alemães, um informante sendo morto à queima roupa, Charlotte correndo atrás do trem), não transforma o período numa bobagem qualquer (como falaram por aí sobre os nazistas), faz pensar na questão absurda de raça e de um projeto militar. Os ângulos escolhidos por Gillian Armstrong em várias cenas são ótimos, e planos como os arrasantes sobre a paisagem e sobre trens são belos. Os comentários dela no dvd são bem técnicos, mais falando de como foi feita cada cena do que discutindo o filme em si, muito ilustrativo e esclarecedor. Enfim, não era o filme maçante e burocrático que esperava, e a partir de certo momento nos faz querer acompanhar a história até o fim. Não notei um tema em específico, mas a trilha de Stephen Warbeck (Billy Elliot, Shakespeare Apaixonado) é boa.
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terça-feira, setembro 17, 2002
O Closet (Le Placard)
Divertida comédia anti-preconceito. Daniel Auteuil pra não ser despedido finge ser homossexual, mudando o tratamento das pessoas no trabalho e na vida pessoal (com a esposa separada e o filho distante). Gérard Depardieu está bem engraçado como um homofóbico que vai se revelando. Michèle Laroque continua uma quarentona charmosa e bonita, não sei se é muito bem aproveitada no cinema francês, não são todos os filmes dela que chegam aqui, ela daria uma Rene Russo se tivesse carreira internacional. Irônico pensar que Auteuil é visto no filme como chato, feio e sem graça e na vida real é casado com a Emmanuelle Béart.
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