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"Sometimes meaningless gestures are all we have"

quinta-feira, abril 29, 2004
24 Lies A Second



Finalmente no ar este ótimo site! Para fãs de Brian De Palma e cinema em geral. Link já colocado aí do lado.

posted by RENATO DOHO 11:39 PM
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Art & Fear



Soube do livro de David Bayles e Ted Orland quando ouvi Robert Rodriguez falando que tinha lido e gostado bastante, recomendando no áudio de Pequenos Espiões 2. Fui ver na Amazon e estava com bom preço, resolvi arriscar. Agora que li posso fazer o mesmo, recomendar, é um livro muito legal indicado para quem mexe com arte, os tópicos e questões são bem apresentados e específicos. Num primeiro momento o livro soa como auto ajuda para artistas, mas é mais um livro de referências para quando temos dúvidas desse caminho, seja na criação, na divulgação e vivência ao longo da carreira. Na parte final há uma visão interessante do mundo acadêmico, de como termina a carreira de artistas (que passam a dar aulas ao privilegiar o seguro ao incerto, isto é, salário mensal) e como vira um sistema que se auto alimenta ao invés de procriar novos artistas, mas não chega a condenar a educação nessa área pois incentiva o estudo ("as pessoas param de fazer arte no momento que param de ser estudantes"). Fala da visão que muitos têm que arte é uma profissão, mas não uma ocupação; da recepção do trabalho; a crítica; sair de um mundo de influências e referências para achar a arte própria; o mundo prático (onde quase nada é relacionado ao fazer arte, mas necessário para o fazer/divulgar/comunicar arte); arte não só como a visão limitada de auto expressão; o aprender não passa pela visão da obra terminada de outros artistas (que só auxilia saber do trabalho dos outros, não o próprio) e muitos outros temas. O livro não quer dar respostas, mas apresentar questões, já que cada um segue um caminho particular. É um livro que com certeza é pra ser relido e consultado de tempos em tempos.


posted by RENATO DOHO 10:52 PM
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quarta-feira, abril 28, 2004
Anjo Do Mal (Pickup On South Street)

Ótimo filme de Samuel Fuller com um carismático e excelente Richard Widmark e uma atriz que não conhecia, Jean Peters, que soube foi esposa do Howard Hughes. As cenas entre os dois contêm alta carga erótica, seja no roubo da carteira no metrô ao início ou em outros momentos e apenas pelas expressões dela conseguimos acreditar que está apaixonada pelo bandido e disposta a mudar de lado. A trama envolve um roubo de microfilme e comunistas. Richard Kiley está bem como o medroso vilão (que deixa as coisas ainda mais enervantes, pela sua indecisão e covardia). As lutas são fortes, não diria realistas, mas cruas, de impacto. Feito com orçamento reduzido e em 20 dias Fuller dribla tudo isso e não percebemos essas condições com excelentes planos.

A Última Noite (comentários em aúdio)

Spike Lee se mostra pouco falante, com muitos momentos em silêncio e também detalhando apenas aspectos técnicos, sejam locações ou algo da fotografia ou da trilha. Não esclarece ou dá sua visão do que quis mostrar no filme, fica parecendo que é mais um filme de um cara antes de ir pra prisão, com o adicional de querer colocar a estória numa NY pós 11/09. Lee não gosta do 'autheur theory' e acha que é algo coletivo e pelo que ele fala muitas coisas realmente vieram do diretor de fotografia, da production designer (qual seria o equivalente dessa função aqui?), da figurinista, dos atores, do roteirista, etcs. Por exemplo, Edward Norton revendo as pessoas da seqüência do "fuck you" ao final do filme foi idéia do próprio. Lee se posiciona mais em certas questões do filme como o relacionamento do professor com a aluna, coisa que condena veementemente (a cena do beijo entre os dois foi difícil para Lee realizar ao pensar em sua filha de 10 anos), aliás ele sempre fala que o personagem de Philip Seymour tem problemas; ou a questão das drogas (incluindo referências à uma lei especialmente ruim) e culpa do personagem principal (e seu grande medo de ser currado na prisão). Lee também gosta de desmistificar o fazer cinema, ele acha que qualquer um pode aprender e fazer, uma profissão como outra qualquer. Por isso ele leciona, dando aulas na NYU e muitos alunos foram estagiários no filme. Engraçado é ele repetindo falas que acha legais e se divertindo ouvindo algumas delas. No geral é meio decepcionante a forma que Lee comenta as coisas, mas ao mesmo tempo se mostra um cara bom de se lidar e que não intelectualiza demais o próprio trabalho, se auto congratulando ou dando importância demasiada em si mesmo.


posted by RENATO DOHO 5:06 PM
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+ Pesquisa Literária 2004 (4)

Aí vão minhas escolhas. Muito legal essa sua pesquisa. Valeu por ter me incluído!

Os 5 últimos:

Fúria Cega (John Saul) - Foi indicado pela dona da locadora de livros da qual sou sócio. Ela viu meu interesse por Stephen King e me indicou este autor, que também é de terror, embora nesta obra seja bem mais contido que King, mas com uma trama interessante sobre o fantasma de uma menina cega que atormenta os moradores de uma cidadezinha perto de Boston por várias gerações. Abusa um pouco de clichês, mas tem seu charme.

Tudo Por Um Popstar (Thalita Rebouças) - Esse é da minha querida amiga que está deslanchando agora na Rocco com seus livros dirigidos ao público infanto-juvenil. Thalita tem um super talento para falar de igual pra igual com essa galerinha. Nessa história, ela conta a aventura de três meninas de Resende (interior do Rio) que vão até a capital para ver o show do grupo dos seus sonhos, uma versão satírica das boy bands. Diversão garantida.

Blecaute (Marcelo Rubens Paiva) - Em vez de conhecer o autor na adolescência, como muitos da minha geração, fui descobrir sua obra agora, começando pelo clássico Feliz Ano Velho, em seguida lendo este. Como o próprio Marcelo diz, é inspirado num episódio de Além Da Imaginação e conta uma história fantástica sobre todas as pessoas terem ficado paralisadas enquanto um grupo explorava uma caverna. O cenário e o mistério da trama são muito interessantes, assim como a ambientação de uma São Paulo deserta.

Feliz Ano Velho (Marcelo Rubens Paiva) - Fica difícil falar desse livro quando tantos já falaram, mas é o relato emocionante do seu acidente num mergulho bobo e como sua vida mudou depois disso. O mais interessante é que não se trata de lição de moral nem é para termos pena do autor. É apenas uma biografia, com diversas aventuras e até política, já que o pai do autor foi morto na ditadura.

Tripulação De Esqueletos (Stephen King) - O que dizer do mestre do suspense? Aqui são reunidos vários contos, publicados em diversas épocas e revistas. O primeiro "O Nevoeiro" tem fôlego de romance e conta a história de várias pessoas presas num supermercado quando um nevoeiro que traz de volta animais pré-históricos circunda uma cidade. Daí em diante, um carrossel de emoções. Um dos mais famosos é o conto "A Balsa", adaptado ao cinema no filme Creepshow 2.

Os 5 que mais gostei:

Crossroads (Michael Schumacher) - Biografia do mestre do blues Eric Clapton. Conta desde sua infância difícil, passando pelas barras-pesadas das drogas (foi viciado em heroína), a paixão pela mulher de George Harrison (que inspirou a música Layla) e a morte do filho Connor, que caiu de uma janela e inspirou a música Tears In Heaven. A vida de Clapton é riquíssima para ser contada em livro, o que o autor faz muito bem.

O Vampiro Lestat (Anne Rice) - A autora colocou o personagem do vampiro num nível nunca levado depois que Bram Stoker publicou o definitivo Drácula. Mas Rice foi além, dando questionamentos filosóficos e uma aura de charme aos vampiros. Segundo volume das Crônicas Vampirescas, este livro conta a aventura de Lestat como cantor de rock e é onde mais aprendemos sobre sua personalidade, que é fascinante.

Misery (Stephen King) - O mestre do suspense e meu autor favorito conta uma história das melhores, que foi ao cinema com James Caan e Kathy Bates nos papéis principais. Um autor sofre um acidente de carro em local ermo, castigado pela neve, e é salvo da morte por sua fã número um, uma enfermeira. O azar é que ela não quer que ninguém saiba que ele está vivo e muito menos que ele vá embora. Corra e leia!

O Iluminado (Stephen King) - É a história de um menino paranormal, filho de um homem contratado para tomar conta do Hotel Overlook (um dos personagens mais assustadores do gênero de terror, não, o personagem que falo não é o homem, mas o hotel!). Como foi cenário de muitas histórias sórdidas, não faltam fantasmas no Overlook, e quem sofre é o menino. E, para piorar, o hotel fica isolado no inverno. A adaptação de Stanley Kubrick é antológica, com Jack Nicholson em um de seus melhores papéis. King não gostou, tanto que fez sua própria versão em uma série para a TV. Dá pra entender?

O Menino Maluquinho (Ziraldo) - Esse livro marcou minha infância e deve ter sido um dos responsáveis pelo meu gosto pela leitura. É a história de um dos personagens mais famosos do cartunista com um pouco de humor, melancolia e graça. E boas ilustrações! :)

Carlos A. M. Silva

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posted by RENATO DOHO 1:50 AM
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segunda-feira, abril 26, 2004
Vários

Sai de uma banca hoje com o Demolidor 3 e a Set Especial (História & Cinema) sobre o Che. O Demolidor compro todo mês pelo Justiceiro, mas tanto o personagem principal da revista quanto a Elektra estão com boas histórias. Set não compro mais (dá pra ler no Sesc ou outro local), mas esse especial eu fiquei curioso pois nunca fui "che"gado hehe Enquanto Che virava moda e símbolo dos "rebeldes" eu sempre me identifiquei mais com os pacifistas Gandhi e Martin Luther King, Jr. (aliás MLK é um dos meus grandes ídolos, inspiração para a vida toda). Mas agora o personagem histórico desperta curiosidade com a vinda do novo filme do Walter Salles, Jr.

Recebi hoje o livro The American Cinema do Andrew Sarris. Bem legal, obra de referência.

Também recebi da minha amiga
Michele a fita do primeiro álbum da Jewel, Pieces Of You, que ela achou baratinho num sebo em Sampa. Legal ter um objeto de colecionador assim. E ainda esse fim de semana finalmente peguei e vi os dois clipes dela que não tinha, This Way e Stand, os dois apaixonantes, pra fã mesmo, com muitos closes. Ty Murray, eita cara sortudo!

Consegui por um bom preço a edição especial de A Cor Púrpura, dvd duplo. Aos poucos vou conseguindo a filmografia toda do Steven Spielberg, já está quase tão grande quanto a do Brian De Palma (diretor que mais tenho filmes em dvd). Em breve quero ver se consigo a edição especial de Scarface e o duplo de A Lista De Schindler. Fica parecendo até que os dois estão competindo aqui na minha estante hehe

Terminei de ler alguns livros recentemente:

- Por Que Os Homens Fazem Sexo E As Mulheres Fazem Amor?: Allan & Barbara Pease, esse é de auto ajuda, coisa que não leio, mas umas colegas falaram entusiasmadas sobre o livro e achei engraçado; como minha tia tinha, peguei emprestado. E é engraçado, falando das diferenças entre homens e mulheres por alguns fatos científicos.

- Cara, Cadê O Meu País?: Michael Moore, talvez até melhor do que o anterior, Stupid White Men, pelo que tem de pesquisa e pelo que tem de relevante no cenário atual. É abertamente um livro imediatista, feito para ser lido antes das eleições presidenciais norte americanas para conter George W. Bush. Faz uma geral muito boa sobre fatos pós 11/09 (quase um Noam Chomsky pop) e na parte final (como no anterior) incentiva os leitores a tomarem iniciativas próprias, pequenas, mas significantes para melhorarem o sistema político da comunidade, do estado e do país. Há dois capítulos curtos dispensáveis, mais humorísticos, um é uma carta de Deus e o outro uma visão do futuro (Moore conversando com sua bisneta).

- Conspirações – Tudo O Que Não Querem Que Você Saiba: Edson Aran, bem engraçado e curioso para quem, como eu, curte conspirações. O autor dá uma geral nas principais conspirações no mundo, sempre com humor, às vezes claramente sarcástica (pode irritar alguns mais fanáticos e paranóicos). É uma obra legal para ter de referência, consulta rápida.

- Primeiro, O Amor – Depois, O Desencanto (E O Resto De Nossas Vidas): Douglas Coupland, falta umas 10 páginas pra acabar, são histórias curtas, sem ligações aparentes. Primeiro livro de Coupland que leio (foi dele a expressão Geração X que é um livro que escreveu antes) e ainda não sei bem o seu estilo e nem se apreciei bem. Preciso ler outro.

Estou terminando Art & Fear, indicação vinda do Robert Rodriguez nos comentários de Pequenos Espiões 2 hehe Estou gostando.

Não sei o que lerei em breve, mas um recente adquirido que possa começar a ler é De Que Amanhã... um diálogo entre Jacques Derrida e Elisabeth Roudinesco.

Vi:

- Uma Garota De Raça (Star Spangled Girl) baseado numa peça de Neil Simon. Tem excessos na caracterização de um personagem obsessivo (pode irritar), mas no todo é um bom trabalho.

- Êxtase De Amor (Daisy Kenyon) um ótimo filme de Otto Preminger que retrata um triângulo amoroso de forma bem honesta. Engraçado como pela época não se podia ter cenas mais fortes (o máximo que vemos do relacionamento é um beijo) e mesmo assim cria-se um elo e uma intimidade muito grande entre Joan Crawford e seus dois amantes, Dana Andrews e Henry Fonda. E é bem mais forte e realista que os filmes atuais. O personagem de Fonda é intrigante e fascinante, mas nenhum dos outros deixam de ser complexos. Agora, será que só notei agora como a Joan tinha cara de psicótica, mesmo mais jovem (43 anos no filme) e num filme normal?

posted by RENATO DOHO 8:17 PM
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sábado, abril 24, 2004
Tragam-Me A Cabeça De Alfredo Garcia
(Bring Me The Head Of Alfredo Garcia)




Espetacular filme de Sam Peckinpah, um de seus mais brutais filmes (o que é difícil dizer vindo de uma filmografia como a dele), extremamente niilista. Warren Oates encarna perfeitamente o personagem principal, sempre de óculos escuros e bêbado procurando um sentido através do dinheiro, do amor e da arma. Grande interpretação. Ele é um protagonista sem o ser completamente, ele vai entrando na história e quando vemos é sua trajetória que acompanharemos, mas mesmo assim o morto Alfredo Garcia é tão presente quanto. A violência é bastante presente, mas há momentos extremamente ternos envolvendo o casal Bennie e Elita. As mulheres são vistas de forma ambígua, ao mesmo tempo que são fracas e precisam de proteção elas podem ser traíras e vingativas (as cenas envolvendo Elita num estupro e a filha do fazendeiro mexicano no começo e final do filme demonstram isso). As falas de Bennie sozinho (ou com a cabeça de Alfredo) tentam mostrar um pouco o drama do personagem, mas nunca o alcançamos em suas intenções e sentimentos, sempre somos barrados pelos seus olhos ocultos e sua arma em punho. Suas ações falam mais alto e são elas que nos levam ao final arrebatador.


posted by RENATO DOHO 10:41 PM
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sexta-feira, abril 23, 2004
Kill Bill Vol. 2 Soundtrack



A trilha da segunda parte do filme de Quentin Tarantino segue parecido ao primeiro retornando Charlie Feathers, Ennio Morricone, Luis Bacalov, Meiko Kaji e RZA (numa faixa escondida). Também as músicas mais latinas estão presentes com Lole Y Manuel e Chingon. Boa adição de Johnny Cash (nunca é demais colocá-lo numa trilha). Em comparação a trilha do primeiro era melhor. Só de ter Battle Without Honor Or Humanity já vale um filme, mas ainda tinha o Green Hornet e o Twisted Nerve, além de colocar Santa Esmeralda, Nancy Sinatra e The 5, 6, 7, 8's. Sem contar a do The Human Beinz que não consta na trilha mas é parte importante da grande seqüência do filme.

Talvez as trilhas sejam como os filmes, se juntados e cortados algumas músicas daria uma ótima trilha, separados cada um têm altos e baixos, deixando apenas ambos boas trilhas.

Assim como seria difícil achar outra música mais poderosa que a do Tomoyasu Hotei é díficil um filme ficar tão bom quanto o teaser do primeiro filme, onde podia se vislumbrar todo um potencial que foi parcialmente transposto para às telas. Quem sabe na segunda parte as coisas melhoram (em filme, pois na trilha não aconteceu)?

01. Uma Thurman - A Few Words From The Bride (0:42)
02. Shivaree - Goodnight Moon (4:03)
03. Ennio Morricone - Il Tramonto (1:13)
04. Charlie Feathers - Can't Hardly Stand It (2:47)
05. Lole Y Manuel - Tu Mira (Edit) (4:00)
06. Luis Bacalov - Summertime Killer (3:39)
07. Alan Reeves & Phil Steele & Philip Brigham - The Chase (1:03)
08. David Carradine & Uma Thurman - The Legend Of Pai Mei (2:06)
09. Ennio Morricone - L'Arena (4:46)
10. Johnny Cash - A Satisfied Mind (2:49)
11. Ennio Morricone - A Silhouette Of Doom (2:54)
12. Malcolm McLaren - About Her (4:50)
13. David Carradine & Uma Thurman - Truly And Utterly Bill (0:47)
14. Chingon - Malaguena Salerosa (4:05)
15. Meiko Kaji - Urami Bushi (3:32)
16. The Wu Tang Clan - Black Mamba (2:33)


posted by RENATO DOHO 8:28 PM
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