RD - B Side
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"Sometimes meaningless gestures are all we have"
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segunda-feira, agosto 30, 2004
Collateral Soundtrack
Ótima trilha!
01) Briefcase - Tom Rothrock
02) The Seed (2.0) [Extended Radio Edit] - Cody ChesnuTT & The Roots
03) Hands Of Time - Groove Armada
04) Güero Canelo - Calexico
05) Rollin' Crumblin' - Tom Rothrock
06) Max Steals Briefcase - James Newton Howard
07) Destino De Abril - Green Car Motel
08) Shadow On The Sun - Audioslave
09) Island Limos - James Newton Howard
10) Spanish Key - Miles Davis
11) Air - Klazz Brothers
12) Ready Steady Go [Remix] - Oakenfold
13) Car Crash - Antonio Pinto
14) Vincent Hops Train - James Newton Howard
15) Finale - James Newton Howard
16) Requiem - Antonio Pinto
E essa parece ser boa também:
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domingo, agosto 29, 2004
Fahrenheit 11 De Setembro (Fahrenheit 9/11)
O novo filme de Michael Moore se mostra ao mesmo tempo mais "maduro" e menos característico do que vinha fazendo. A opção por aparecer menos em frente às câmeras e organizar as imagens alheias nos dá um belo começo, como o atentado de 9/11, muito bem retratado com a tela preta, as caras de reação e as folhas espalhadas no céu. Nunca tinha visto Bush tanto tempo assim em reportagens e pronunciamentos; isso só reforçou a impressão de que ele é extremamente despreparado para qualquer posição de destaque no cenário político, mas isso não quer dizer muita coisa na política, não é? Ao final parece que Moore fez as coisas depressa demais, falta abordar outros temas, ser mais criativo nas suas intervenções, como a mãe do soldado morto que não leva à nada, ela apenas chora na frente da Casa Branca? Ela poderia ter sido uma incentivadora de protestos ou agir de forma dura através da imprensa ou do judiciário, mas só vai à Washington chorar... Pequenas mudanças aconteciam nos filmes anteriores (como o Wal Mart deixando de vender balas), aqui o objetivo maior (Bush não ser reeleito) é pós-filme, nada dentro do filme. Moore também deixa de usar o que sempre usou e era uma de suas marcas registradas: o confronto direto. Quem ele confronta cara a cara no filme? Ninguém! Bush é o alvo maior? Sim, mas através de noticiários. Moore confrontava seus adversários, algumas vezes conseguindo (Columbine / presidente da NRA) outras não (Roger & Eu / presidente da GM). Aqui ele nunca tenta chegar perto de Bush (a única vez é de uma cena antiga) ou de qualquer um do alto escalão do governo, o máximo que consegue é a ridícula idéia do alistamento para filhos de congressistas. Até a sua leitura do Patriot Act é vazia, quase que feita de improviso, como se pensada e executada em meia hora... A pressa em fazer e lançar o filme antes da eleições é evidente da metade pro fim, onde se reprisam informações e não se acrescenta nada. Mesmo assim é um bom filme, mas merecia mais pesquisa (há poucos dados), mais confronto pessoal (ele por exemplo mostra os soldados, mas não tenta jogar na parede qualquer general ou superior militar) e mais entrevistas com gente importante, senão o Moore que conhecemos não vai ser o mesmo e vai ser apenas mais um entre tantos.
Garotas Do ABC
Belo novo filme de Carlos Reichenbach. A divisão do filme entre a vida no trabalho e as horas de lazer é boa, mesmo que a trama paralela dos neo-nazistas percorra o filme todo sem mudanças (pois eles não trabalham, então suas vidas não são marcadas por mudanças entre trabalho / lazer). Como muitos filmes nacionais demorasse um tempo para se acostumar com as falas que parecem artificiais em certos momentos (de vez em quando há exceções como O Invasor ou os filmes de Ugo Giorgetti), mas depois entrasse no clima (ou então, quando o filme é falho, fica-se incomodado o tempo todo). Aqui o que percebi foi mais o caso de certos atores, pois o ótimo Selton Mello diz com naturalidade suas falas ao contrário de seus companheiros. Seria ele que modifica o escrito para adaptar as falas enquanto outros dizem tudo literalmente? Não sei. Dentre as operárias os destaques são Luciele Di Camargo e Natália Lorda, com ótimas atuações. Fica-se mais com a vontade de saber dessas duas personagens do que a principal, Aurélia. Michelle Valle é bonita e está bem, mas falta algo tanto na atriz quanto no personagem para se manter o interesse. Já os personagens de Selton Mello e Fernando Pavão são claramente retratados com mais fascínio, são deles as seqüências mais marcantes como a da pedreira e o surto de Fábio (Pavão) nos fazendo remeter ao excepcional São Paulo S/A, além do final dos dois, poético. Se o projeto era maior (com mais filmes) e maior duração dá em certos momentos para se perceber isso ao não termos desenvolvimento de personagens como a de Antuérpia, que parece ter potencial, mas fica naquilo inicialmente mostrado. Ou a Suzana de Luciele, com sua virgindade e sua paixão pelo empregador. Uma minissérie seria ideal para que os personagens fizessem parte do dia a dia do espectador, além de explorar ao máximo cada um dos personagens. A participação de Fafá De Belém é ótima, mas estranhamente quando chegamos na seqüência do Democrático nota-se um arrastar da trama, como se só ali percebessemos a duração do filme. As subtramas do jornalista e da família de Aurélia (a investigação do atentado, o pai conservador, o caso entre o soldado e a tia) não me despertaram atenção. A escolha do ator que faz o Sam Ray poderia ter sido outra, a de um negro, pois a explicação de Aurélia para sua paixão pela música dele (além dos exemplos citados) vai no caminho oposto da fisionomia do ator. A bêbada feita por Vera Mancini é hilária, natural e memorável. Os assassinatos de moradores de rua nos noticiários nos últimos dias dá uma atualidade grande ao filme (infelizmente). Fotografia, direção e música são sempre de alta qualidade nos filmes de Reichenbach. Não há como não deixar de achar bem engraçada e legal a cena final para os descendentes orientais como eu. E a volta ao Democrático nos créditos finais dá o clima exato do belo trabalho apresentado, exaltando a alegria e o popular, que nos faz esquecer eventuais falhas aqui e ali.
Super Size Me – A Dieta Do Palhaço (Super Size Me)
Quase um filhote do Moore, mas o que não se espera é que pelo resumo da história e proposta o filme venha a ser até bom, não é apenas ele comendo e engordando no McDonald's. É divertido (ainda bem), toca no assunto mais comentado que mostrado que é a epidemia de obesidade nos EUA e a alimentação escolar (vi o assunto sendo brevemente discutido em Boston Public, um seriado sobre o sistema escolar) e vai apresentando pesquisa e dados, seja entrevistando gente que estuda o assunto, indo nos locais do problema e tentando confrontar os principais envolvidos. Talvez tenha faltado coragem em mostrar mais o processo de realização da carne (o McNuggets é mostrado através de desenho e de forma suave) e cutucar mais as companhias de regrigerantes. Ele vai tentando cobrir as variantes, não sendo um discurso monotemático, ele vê o lado dos gordos, não como objetos de sarro ou nojo, mas também de preocupação (a garota que não consegue emagrecer, mas se espelha no cara dos comerciais do Subway; o senhor que passa por cirurgia de redução de estômago); vê o estado atual dos refeitórios das escolas (e ainda não fala da quantidade maciça de aparelhos de venda de salgadinhos e refrigerantes nos corredores, disponíveis para fora do horário das refeições); até mostra o cara que come muitos Big Macs e é magro. Curioso foi dias antes do filme eu notar que o folheto do McDonald's tem agora as informações nutricionais que no filme ele quase não consegue achar. Outra coisa relacionada é presenciar no horário de almoço a entrada enorme de alunos de colégios particulares próximos de uma das lanchonetes indo almoçar lá, e diariamente, como pude saber ao questionar a caixa. E teve gente que achou exagerada a proposta dele de comer lá todos os dias por 30 dias! Tem gente que faz isso por anos! Preocupante...
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Colateral (Collateral)
Filmaço de Michael Mann que mesmo num roteiro até certo ponto prevísível e comum consegue se sair muito bem utilizando 2 atores em ótima sintonia e forma, uma fotografia captada em digital muito boa, a cidade de Los Angeles como poucas vezes vi sendo retratada e os grandes temas de sua obra. Cruise segue o modelo dos anti-heróis de Mann, notem que seu visual é muito similiar ao de William Petersen em Caçador De Assassinos e Robert De Niro em Fogo Contra Fogo (e também Alex McArthur no telefilme original, Made In L.A.). Se quisermos podemos incluir Russell Crowe em O Informante, os protagonistas dos seriados Miami Vice e R.H.D.L.A. e da minissérie A Guerra Das Drogas. Fora o visual o que eles têm em comum é o profissionalismo, todos são ótimos no que fazem (e em Colateral isso também inclui o taxista). Esse confronto de profissionais (seja um serial killer sendo perseguido por criminalista ou um policial por um ladrão) faz parte integral do mundo do perfeccionista Mann. O respeito que ele tem por eles é palpável. A identificação com o personagem de Cruise é imediata, não há quem verdadeiramente não queira ser como ele, mesmo sabendo que é um fantasma, e que já está condenado desde sempre. A passagem de conhecimento também é bem colocada, o taxista vai aos poucos incorporando o assassino, e dele extrai a força que o faz avançar em sua existência, mostrada no início da noite como estagnada, sem coragem e apenas fantasiada. Cruise tem um dos melhores papéis de sua carreira e a parceria era previsivelmente ótima, pois Mann e ele tem personalidades parecidas. Não por acaso já estão planejando novo filme juntos. E Mann não precisa confirmar nada, é grande e basta.
Sin City – Inferno
Mais um ótimo exemplar das histórias de Frank Miller que aqui giram em torno de um desenhista e uma suicida. A parte alucinatória (em cores) é o inusitado desta história.
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quinta-feira, agosto 26, 2004
Under A Blood Red Sky
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Bogdanovich
O quase término de leitura de Afinal, Quem Faz Os Filmes tem feito com que eu fique motivado a ver filmes dos cineastas entrevistados que tenho gravado aos montes por aqui. Os mais recentes foram:
Laura (Idem)
Otto Preminger. Ótimo. Lembrou bastante de Um Corpo Que Cai, mas menos corajoso ao não ousar em estabelecer uma relação necrófita como Hitch fez tão bem. Mesmo assim é um grande filme. Sabendo dos bastidores da realização fica mais legal ainda. Escolhi esse entre os 8 que tenho dele gravado pois é o mais falado durante a entrevista. Vamos ver quando eu vejo o resto...
Mortalmente Perigosa (Gun Crazy)
Joseph H. Lewis. Ótimo também. O cineasta dos filmes baratos e feitos rapidamente (este em 30 dias, mas alguns em 7, 10...). Um precursor de Bonnie & Clyde. A famosa cena do assalto é realmente brilhante. Os atores são desconhecidos para mim, mas o ator achei melhor que a atriz, ela não se expressa muito bem. O final tem um clima surreal, na névoa. Pena que só tinha esse gravado. Lewis mostrou ter uma personalidade admirável, íntegra, vai ser um prazer ir atrás de outros filmes de sua carreira.
Don Siegel é o próximo do livro. Tenho 2 filmes para ver após então.
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segunda-feira, agosto 23, 2004
Sex And The City
E assim acabou mais um seriado de sucesso. Não deu pra segurar, chorei em algumas partes. Todas elas passaram por várias coisas, mas a que mais mudou foi Miranda e nesta parte final foi a que mais gostei. É dela algumas das cenas mais bonitas dos últimos episódios e isso começou com a ótima cena da festa de aniversário do filho, onde ela se declara para o ex-namorado com quem teve o filho. Ela foi passando de uma típica advogada, cínica e urbana, para uma suburbana, mãe e amorosa. Ela que mais cresceu e mudou, literalmente! Teve um filho, impensável para o personagem no início. Se declarou e descobriu o amor onde menos esperava, num ex (que não é nenhum modelo e tem um trabalho bem menos rentável e de pouco status). Mudou de Manhattan para uma casa! Chamou a sogra para morar junto! Ela não virou outra coisa, mas agregou valores, não passou de advogada desalmada para dona de casa boazinha, mas redefiniu prioridades (como quando vê como a sua firma a pressiona por conta da criação do filho) e conciliou mais as coisas. O marido também não ficou atrás, Steve foi se mostrando a cada episódio o cara ideal para ela, que a aceita e a compreende mesmo que não concorde com certas atitudes dela. Ele que foi criando um sentimento maior na vida dela, como quando ele diz "somos uma familia" para mostrar um dos motivos da compra da casa (enquanto o que ela mais queria era internet instalada). Engraçado que ela toda independente e segura de si se mostrou mais criança diante da maturidade da criação de uma família e ele todo crianção, sempre jogando basquete, se mostrou preparado e maduro para isso. No episódio final é emocionante a constatação do estado da mãe dele quando vai buscar algo no apê da mãe e a oferta da casa feita por Miranda. Depois ela saindo desesperada atrás da sogra pelas ruas e depois dando banho nela para logo após a empregada que a conhece tão bem tendo que afirmar para Miranda que ela é capaz de amar, como se a própria não se convencesse disso. Mais uma prova de como foi ficando madura. É tocante. Todos os personagens encontram sua própria felicidade, mas Miranda parece ser a que tem e terá uma felicidade mais rica e completa.
Outro momento emocional é da adoção de um bebê por Charlotte, tanto ela quanto o marido são bem retratados, ambos são emocionais ao fato.
E até Samantha tem uma cena tocante ao receber a declaração do seu namorado no meio da noite e conseguir desabafar e revelar que ele é o homem mais importante da vida dela. Aliás, o personagem do namorado é até ideal demais, extremamente compreensivo.
Justo a principal, Carrie, não tem algo tão emocional assim, mas sim divertido. No fim das contas ela continua a mesma, apaixonada por sua cidade e suas amigas e futuramente, casada. Curioso que a vida do artista, Petrovsky, é retratada como sem emoção, mas sua rotina e atitudes são muito parecidas com o que um artista teria, extremamente voltado para o trabalho, onde a companheira sempre ficará em segundo plano (por isso muitas vezes as companheiras mais estáveis são as que fazem parte do mesmo meio).
Big, quem diria, é o parceiro ideal. Um bon vivant que pode estar disponível e também proporcionar o luxo e/ou glamour que Carrie sempre precisa.
Não sei se o Multishow mesmo que teve a idéia preciosa de anunciar The Golden Girls comparando com Sex And The City. Não é que as séries são bem parecidas mesmo? Seriam elas no futuro! Aliás, o antigo seriado (que teve até Quentin Tarantino como um imitador de Elvis) era muito divertido, se sustentando em atrizes pra lá da meia idade (será que hoje uma série assim seria criada e teria sucesso?).
Bom, agora que acabou fica a saudade e a boa lembrança desta ótima série (brevemente passando na FOX também).
Nota: quem quiser saber a canção que toca no final do episódio é You Got The Love de Candi Staton.
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domingo, agosto 22, 2004
Juliette And The Licks
Quem diria que Juliette Lewis poderia vir a ser a mais nova sensação da cena roqueira? Foi uma surpresa quando Liam Howlett a chamou para cantar no novo disco do Prodigy e acabou fazendo duas das melhores canções, as fodaças Hotride e Spitfire.
Ela agora tem banda e está para sair com um álbum. Já ouvi 4 canções e são ótimas! Dá pra pegar 3 por enquanto, American Boy, Got Love To Kill e Shelter Your Needs. A melhor, Comin' Around, não achei em lugar algum, mas pode ser ouvida no site oficial.
Os shows estão sendo bem elogiados pela energia da Juliette que afirmou querer vir a ser a nova Iggy Pop.
O álbum sai em Outubro.
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