RD - B Side
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"Sometimes meaningless gestures are all we have"

segunda-feira, novembro 28, 2005
O novo de Abel Ferrara



Trailer
Cena 1
Cena 2
Cena 3

posted by RENATO DOHO 9:52 AM
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quinta-feira, novembro 24, 2005
"You are so beautiful... to me"



Eu não me canso. Esse ensaio foi uma beleza.


posted by RENATO DOHO 1:00 AM
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Tudo Acontece Em Elizabethtown (Elizabethtown)

Meu Deus, o filme bateu algum recorde de canções por película exibida? Deve ser a primeira vez que a quantidade de canções numa trilha me fez ficar irritado! São tantas que nem parece que há momentos de silêncio, tudo tem que ter um sonzinho embalando senão não se sustenta. Eis talvez a característica principal do filme e seu pior defeito: o excesso. Já começa pela história, um fracasso, mas um fracasso monumental que vem se juntar à notícia da morte do pai. E o encontro com a comissária de bordo mais excessiva dos últimos tempos (encontro esse forçado, irreal, só reforçando que estamos vendo um filme). E o telefone mais longo da história num celular? Claramente o filme não precisava juntar tanto tema assim num filme só, pois Crowe não dá conta. O lado mais forte é a relação do protagonista com a comissária, o mais chato é da família e os preparativos para o funeral. Ainda temos que lidar com o fracasso dele, a relação com o pai, como a mãe reage à morte, a relação da mãe com a família do falecido, história dos EUA, tentativas de humor, tentativas de emoção, e canções, muitas canções! Se concentrasse em um só tema poderia dar num filme mais humano e profundo e não a salada meio indigesta que virou. A procura de situações irreais deixa os personagens como meros personagens e não seres humanos, no meio de algo que se aproxima de um sentimento real entra uma piada despropositada, ou então um pássaro pega fogo no meio do salão enquanto vemos o virtusiosmo da banda que não pára de tocar mesmo sob a água que cai. É como se nos fizesse, enquanto público, pensar: "só em filme mesmo". E essa quebra da magia que prejudica tudo. O andamento também não é lá muito bem feito (o que é irônico vindo de alguém que aparentemente tem paixão por música - saber o andamento devia ser inerente à sua pessoa), quando já dava pra acabar o filme temos mais um bom trecho da viagem de carro o que em si (essa seqüência) não é ruim, mas quando posta naquele momento parece se arrastar ao invés de finalizar algo (como se Crowe tivesse colocado 10 faixas bônus ao final do cd que fez). No fim não há real reflexão diante da existência "fracassada" dele ou da superação da morte do pai (o que não acontece pois não há real perda) ou a verdadeira América que se tenta traçar, só fica o amor descoberto, o que não é lá uma grande descoberta. Less is more, Crowe. O único momento de real emoção pra mim, vejam só, foi quando vemos imagens de Martin Luther King. Jr. em Memphis ao som do U2. Aliás, esse trecho da viagem me fez pensar em outra coisa que até tem haver com o filme, mas é mal explorada: a história. Em como os EUA criam e preservam sua história. E se comparar com o que fazemos por aqui... No filme não é desenvolvido, mas é a história que dá um sentido à vida do protagonista, história de sua família, da comunidade, do estado e do país. Creio que se o filme colocasse o protagonista aceitando sua história e sua parte numa história maior haveria mais significância e coerência com a proposta. E faltou Bruce Springsteen! Tanta música e nada do melhor sobre o tema!

P.S. - sobre o final: eles não deviam ficar juntos! mais uma forçada! já não bastasse o mapa mais excessivo já feito hehehe mas o bom da relação deles é a amizade e não o amor, os deixando seguir caminhos próprios o filme seria mais real e corajoso, o que cada um podia dar ao outro já foi dado sem que precisassem ficar juntos (aliás um bom final seria logo após a despedida dos dois após a noite de amor).


posted by RENATO DOHO 12:02 AM
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terça-feira, novembro 22, 2005
Last Days



Gus Van Sant parece fechar uma trilogia iniciada com Gerry: baseado em histórias reais os três filmes não se fixaram nesta realidade, apenas serviram de inspiração; então Elefante não é exatamente sobre Columbine assim como Last Days não é sobre Kurt Cobain, mesmo que tudo leve a crer que sim. É um recurso curioso que instiga o público por ter seu interesse despertado pelo tema conhecido e o frusta (em certa medida) por não oferecer o que se esperava. Quem for procurando Kurt e seus últimos dias no filme realmente vai se sentir enganado de certa maneira. Já os que apreciaram essa nova abordagem de Van Sant desde Gerry vão ter motivos de sobra para elogios. Situo o filme entre Gerry e Elefante, sendo Gerry o meu favorito. Apesar do seu radicalismo, Last Days tem uma trajetória relativamente simples e previsível, sim, são os últimos dias de alguém assim como era esperado em Elefante o massacre escolar, diferentes de Gerry onde o destino final era impresivível (já que a questão da perda em vários sentidos é abordada). Mistura-se o que já vimos anteriormente em um ou outro filme (ou em ambos às vezes): a câmera acompanhando por trás alguém caminhando, os longos planos, a narrativa semi-circular, o uso extremamente importante do som, o distanciamento do que se mostra, etcs. A abordagem do protagonista (Michael Pitt / Blake / Kurt) é onde o filme se destaca dos outros, fica claro que vemos ali um não-ser (Pitt está ótimo nesta caracterização corpórea do personagem), que vaga pela casa e pelo campo, grunhindo coisas e não temos nenhum grande insight do que realmente se passa com ele (o tal do distanciamento), nem através de suas ações (preparando comida, acariciando um gato, caindo pelos cantos) a não ser (e isso é muito importante) através da música. Nas duas cenas "musicais" o filme se abre e deixa com que entremos no sentimento daquele indivíduo. São as duas melhores cenas do filme, filmadas de longe e capazes de emocionar. No resto tudo parece ser vago, até nas poucas conversas que ouvimos aqui e ali, que são banais num sentido e significativas em outro (a do vendedor das páginas amarelas nos remete à indústria musical e a discussão sobre o sucesso). Pequena participação de Kim Gordon fazendo a rara pessoa que faz algum sentido no meio daquelas pessoas "perdidas". Asia Argento é quase uma figuração, achei que seria melhor explorada. Muitas das coisas que podem ser tiradas do filme, paradoxalmente, se baseiam em Kurt Cobain. Entendemos mais certas ações e certos temas aqui e ali que sem esse fantasma da pessoal real que foi Cobain não ficariam tão significativas assim (isso talvez se repita em Elefante ao trabalhar com o fato do público saber que se fala em Columbine). Seria isso mais um motivo para minha maior apreciação de Gerry que não necessita disso (e por isso é entre os três o menos conhecido)?

Parece que depois dessa trilogia Van Sant descarregou o que tinha que descarregar e está com um projeto mais "convencional" para breve, onde nem mesmo escreveu o roteiro.


posted by RENATO DOHO 4:58 PM
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segunda-feira, novembro 21, 2005
Weeds



Ótima nova série, em 10 episódios, está sendo exibida pelo GNT. O maior destaque é mostrar de uma vez por todas o talento da maravilhosa Mary Louise Parker, excelente como a traficante local de maconha.

E ainda há uma canção de abertura perfeita pro seriado,
Little Boxes por Malvina Reynolds, com uma letra hilária:

Little boxes on the hillside, little boxes made of ticky tacky
Little boxes on the hillside, little boxes all the same
There's a pink one and a green one and a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky tacky and they all look just the same

And the people in the houses all went to the university
Where they were put in boxes and they came out all the same
And there's doctors and there's lawyers, and business executives
And they're all made out of ticky tacky and they all look just the same

And they all play on the golf course and drink their martinis dry
And they all have pretty children and the children go to school
And the children go to summer camp and then to the university
Where they are put in boxes and they come out all the same

And the boys go into business and marry and raise a family
In boxes made of ticky tacky and they all look just the same
There's a pink one and a green one and a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky tacky and they all look just the same

posted by RENATO DOHO 10:18 PM
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In The Reins - Iron & Wine And Calexico



Ótima união! Fantásticas canções, absolutamente lindas!

CD

posted by RENATO DOHO 9:36 PM
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Crash na Oprah

Sexta boa parte do elenco de Crash foi ao programa da Oprah (GNT). Foi muito bom. Primeiro que Oprah ficou entusiasmada com o filme e ela tinha acabado de entrar no recesso de verão do programa então não tinha como falar pra todos sobre o filme na tv, ela queria sair com cartazes pela rua falando para as pessoas irem ver o filme. Segundo que conseguiu realizar o programa logo que voltou com as presenças de Don Cheadle, Matt Dillon, Sandra Bullock, Thandie Newton, Terrence Howard e Chris 'Ludacris' Bridges. Com alguns relatando seus casos pessoais parecidos com o que ocorre no filme. O mais emocionante foi Terrence dando o depoimento de dois momentos seus, um já com 29 com sua filhinha no avião e outro quando criança, com o pai numa loja pertod do Natal. Bem emocionado ele nos deu um relato forte, nos dois momentos houve prisão: ele no avião foi preso por um dia acusado de algo que não cometeu (ele cita que até hoje se alguém acessa o imdb por exemplo vai estar lá o caso para todos lerem e terem um julgamento errado dele) e o do pai que ficou preso por 5 anos por ter matado o homem que o agrediu na loja (por ser mais claro o pai dele ouviu do homem branco atrás dele um comentário racista direcionado à mãe de Terrence, mais escura, quando soube que ela era esposa dele o agarrou e começou a agredí-lo, no que o pai tentou se defender, mas o homem acabou morrendo). Em ambos os casos o racismo foi forte. Thandie até saiu dos sets quando filmou a cena em que é abusada pelo policial e ficou perturbada por dias. Disse também um caso em que recusou trabalhar numa grande produção quando na reunião duvidavam que a personagem poderia ter um diploma, e quando ela ressaltou que tem um de Cambridge ouviu um: "mas com você é diferente", isto é, ela era clarinha. Se arrepende de não ter continuado na produção para mudar a visão que tinham das coisas, recusou o filme por ter se sentido vítima. Casos da platéia similares também foram ouvidos e um especialista em estudos de raça também deu sua opinião. O uso de 'nigger' foi debatido, com divergências. Paul Haggis só apareceu no finalzinho falando do incidente que o levou a escrever o filme. O melhor foi que isso foi trazido e debatido por pessoas com muita intimidade com o assunto, especialmente Oprah e os atores afro-americanos (Matt Dillon por exemplo não falou de nada pessoal), e o quanto o filme ressoou neles. Foi um complemento muito legal ao filme ou então um incentivo para quem ainda não viu, pois apesar de tudo (aqui o filme foi massacrado) o filme é menos simplista do que acusam, não jogando só com extremos para balancear, mas deixando várias áreas cinzas no meio, sem explicação ou motivação que só ajudam na reflexão (penso nos personagens de Terrence Howard e Larenz Tate, por exemplo, ou do pouco utilizado Brendan Fraser).


posted by RENATO DOHO 8:18 PM
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