sexta-feira, dezembro 26, 2014
PESQUISA LITERÁRIA 2014 (12)
QUAIS OS ÚLTIMOS 3 LIVROS QUE VOCÊ LEU?
Ailton Monteiro
http://cinediario.blogspot.com/
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As Intermitências Da Morte - José Saramago
NOTA: EXCELENTE
COMENTÁRIO: Trata-se de mais um libelo humanista de Saramago. Quando o escritor foca mais nos aspectos humanistas e procura menos alfinetar o cristianismo, ele acaba se saindo bem melhor. Alguns capítulos de As Intermitências Da Morte são lindos demais. Estão entre as melhores coisas que já li do Saramago. Melhores momentos: a fuga da família para fora do território; o suspense em torno de uma carta misteriosa; a aparição/descrição da morte; o último e lindo capítulo, que demonstra mais uma vez o quão humanista é Saramago. De arrepiar.
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Amálgama - Rubem Fonseca
NOTA: ÓTIMO
COMENTÁRIO: Fonseca continua fera. Não sei se um dia ele ainda escreverá outro romance, por causa da idade, mas seus livros de contos continuam uma delícia. Amálgama é povoado de Josés, de crianças sem braço, de corcundinhas, de anões, de marginais, de psicóticos, de cafajestes, de tarados, mostrados em contos bem curtinhos. Acho que quem não gosta de ler devia experimentar Rubem Fonseca. O prazer que se tem com suas histórias é inenarrável.
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História Do Cinema - Mark Cousins
NOTA: EXCELENTE
COMENTÁRIO: Difícil imaginar um livro que tem a ambição de fazer um passeio pela História do Cinema (mundial, ainda por cima) e que consiga atingir o seu objetivo. O segredo é que Cousins não busca exatamente os melhores filmes, mas os filmes que marcaram a história de uma forma ou de outra, que serviram como elos de transição de um momento para o outro. Ou que são únicos em sua proposta vanguardista. O livro é tão gostoso de ler que é possível fazer várias leituras, inclusive, anotando os filmes citados para que você veja com calma depois.
Marcadores: 2014, Ailton Monteiro, Pesquisa Literária
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quarta-feira, novembro 28, 2012
PESQUISA LITERÁRIA 2012 (22)
QUAIS OS ÚLTIMOS CINCO LIVROS QUE VOCÊ LEU?
Ailton Monteiro
www.cinediario.blogspot.com.br
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MADAME BOVARY - Gustave Flaubert
NOTA: EXCELENTE
COMENTÁRIO: Tenho enormes lacunas no que se refere aos cânones da literatura ocidental. Este maravilhoso romance de Gustave Flaubert era uma dessas lacunas. Mas foi um prazer tremendo quando eu descobri esta obra, a ponto de colocá-la entre a minha favorita de todos os tempos atualmente. Caso de obra que mexeu com minha mente e até com o meu corpo. Caso de obra que faz o coração pulsar diferente e o sangue se intoxicar. Trata-se da história de uma mulher que sente que a vida pode ser mais do que um casamento sem graça e resolve experimentar o que ela leu nos livros românticos. E isso pode significar a sua ruína e a de seu marido. Um livro sobre adultério que chocou o mundo e que levou o seu autor ao tribunal, mas que hoje é visto como uma das maiores obras-primas da literatura. Cheguei a ver seis adaptações para o cinema desta obra. As melhores: Madame Bovary, de Claude Chabrol; e Vale Abraão, de Manoel de Oliveira.
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NELSON PEREIRA DOS SANTOS: O SONHO POSSÍVEL DO CINEMA BRASILEIRO - Helena Salem
NOTA: ÓTIMO
COMENTÁRIO: Um dos poucos livros sobre a filmografia de um diretor que eu terminei, mesmo sem ter assistido ainda a algumas poucas obras do autor. Trata-se de um livro indispensável ao meu projeto de mestrado, e que foi lido com muito prazer. Helena Salem tem uma prosa muito gostosa e os bastidores dos filmes de Nelson Pereira dos Santos trazem sempre algo de muito interessante. E ainda será relido em partes, à medida que eu for descobrindo filmes que ainda não vi de NPS.
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O ALEPH - Jorge Luis Borges
NOTA: EXCELENTE
COMENTÁRIO: Ao se deparar com os contos fantásticos de Jorge Luis Borges, a impressão que fica é que tudo o mais é pequeno; que toda a literatura é fútil. E por mais que a imersão a esses contos não seja tão fácil, eles são instigantes o suficiente para que fiquemos de queixo caído não só com as tramas, mas com o conhecimento profundo do autor em diversos assuntos. O livro é um labirinto. E quando saímos de lá, queremos nos perder novamente. Os contos que eu mais gostei: "Deutsches Requiem", "O Imortal", "Os Teólogos", "O Aleph". Livro para ler inúmeras vezes.
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NEONOMICON - Alan Moore & Jacen Burrows
NOTA: ÓTIMO
COMENTÁRIO: Que Alan Moore é o maior quadrinista vivo, pouca gente discorda. E ele não precisa estar trabalhando em grandes empresas como a Marvel ou a DC para chamar a atenção. Ao contrário, seus trabalhos independentes são melhores ainda, caso de "Lost Girls" e "Do Inferno". "Neonomicon" é uma homenagem do escritor ao mestre do horror na literatura H.P. Lovecraft. Monstros, sexo, ocultismo, violência e medo aguardam o leitor que se permir adentrar neste universo perturbador. Tive sentimentos de excitação (sexual mesmo) e de horror em determinado momento.
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EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS - Marçal Aquino
NOTA: BOM
COMENTÁRIO: O que me levou ao romance foi o longa-metragem homônimo de Beto Brant e Renato Ciasca. Já sou fã do trabalho de Brant e sei o quanto ele já foi parceiro de Aquino. Prefiro o filme, mas é muito bom poder voltar ao universo dos personagens: a misteriosa e sensual Lavínia, o pastor Ernani e o amante, o fotógrafo Cauby. O livro e o filme se completam. Trata-se de uma história de amor trágica, que no cinema ganha ares de "Um Corpo Que Cai", de Hitchcock, mas na literatura, nem tanto. No livro, destaque para as citações de B. Schianberg, um filósofo do amor inventado por Aquino. Marcadores: 2012, Ailton Monteiro, Pesquisa Literária
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quinta-feira, novembro 11, 2010
PESQUISA LITERÁRIA 2010 (03)
QUAIS OS ÚLTIMOS CINCO LIVROS QUE VOCÊ LEU?
AILTON MONTEIRO http://cinediario.blogspot.com/

Justine - Guido Crepax
Transposição para os quadrinhos da polêmica obra do Marquês de Sade. É um apanhado bestial dos maus tratos que uma jovem sofre. Apesar das sequências de sexo constante, não é exatamente um livro prazeroso ou excitante. Os traços de Crepax tornam os homens perversos, que castigam injustamente Justine em cada etapa de sua vida, em seres horrendos. E o traço não é tão delicado quanto o de Milo Manara, por exemplo. Em alguns momentos, parece apenas pornografia de má qualidade, mas depois vemos que tudo isso é uma espécie de vômito do Marquês para a sociedade.

Caim - José Saramago
Pela primeira vez eu me decepciono com Saramago. O livro-testamento do autor, falecido em 2010, é curto e tem a clara intenção de mostrar os absurdos da Bíblia, no caso, os livros do Antigo Testamento. Para quem já lê a Bíblia desde pequeno e já sabe de tudo isso, nada é novidade e fica parecendo até ingênuo da parte do autor esse ataque ao Deus dos judeus, ao Deus do antigo testamento. Em vez do homem rancoroso, prefira o humanista de Todos Os Nomes e Ensaio Sobre A Cegueira.

Vidas Secas - Graciliano Ramos
A cada leitura, mais a obra clássica e concisa de Graciliano Ramos ganha valor. Uma vez que encontramos a "voz" do livro, que traz uma narrativa múltipla e que se mistura aos pensamentos de seus personagens (Fabiano, Sinhá Vitória, os dois meninos e até a cachorra Baleia), mais admiramos a obra. O autor, ainda que use uma linguagem que parece tão seca quanto o solo do sertão nordestino, utiliza de momentos de pura poesia.

Ilha Deserta - Filmes
Essa coleção Ilha Deserta é bem irregular, mas a ideia é muito boa: pedir para diferentes pessoas que enumerem dez filmes que elas levariam consigo para uma ilha deserta. Temos os ótimos textos do Inácio Araújo, entre outros, mas quem deixa marcas fortes na antologia é mesmo o cineasta João Moreira Salles, que já começa avisando que não é nenhum cinéfilo, mas que se especializou no campo dos documentários. Graças a ele, eu descobri Seams, de Karim Aïnouz, e Teodorico, O Imperador Do Sertão, de Eduardo Coutinho, entre vários que eu ainda pretendo ver. Seus textos são esclarecedores e nos deixam com vontade de conhecer as obras.

Epístola De Paulo Aos Romanos
Dos livros contidos na Bíblia, sempre tive um pouco de cisma com o apóstolo Paulo. Uma parte de mim acreditava que nem ele mesmo tinha absorvido as palavras de Jesus e acabou por helenizar tudo. Resolvi ler a carta que ele escreveu para a Igreja em Roma. Seu texto é um dos mais bem escritos da Bíblia, com períodos longos bem construídos, mas com aquele ranço que lembra muito os discursos de padres. Ele já começa recomendando ao povo de Roma para parar com a "pouca vergonha", condenando o contato 'mulher com mulher' e 'homem com homem', que era bastante comum naquela época, em Roma. É também o livro da Bíblia que mais oferece bases para a questão do não-casamento dos padres.Marcadores: 2010, Ailton Monteiro, Pesquisa Literária
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