domingo, outubro 05, 2003
John Ford
Caracoles, sonhar com o John Ford bem velhinho cobrando para que fãs o vejam numa locadora e ir embora escoltado pela esposa é um sonho bizzarro, mas eu sonhei isso!
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sábado, outubro 04, 2003
Ken Park (Idem)
Uma bosta, mas o que adianta falar isso se as pessoas irão lotar as salas onde esse filme passará? A curiosidade e hype vão falar mais alto. Uma trama rasíssima para mostrar histórias previsíveis ao extremo (ainda mais aqui onde temos Nelson Rodrigues nos embalando desde o berço) que supostamentte são baseadas em experiências reais dos realizadores (não duvido, há muitos clichês pelo mundo à fora). A gratuitidade da coisa é tamanha que temos até movimentos intencionais da câmera com o único propósito de nos mostrar paus (gozando ou mijando). Uau! Que "radical"! Já que era para provocar cadê a cena do pai religioso comendo a filha? Cadê o garoto que come sogra e filha comendo a namorada, quem sabe com a mãe entrando na parada? Ah tem até uma filhinha menor, manda ela entrar na coisa também já que é assim...
Ao menos dá pra ver a Maeve Quinlan, a sogra gostosa, nua. Sorte do ator que fez sexo oral com ela! Fiquei sabendo que ela era tenista e foi casada com o Tom Sizemore.
O Inferno Dos Porcos (Pig's Inferno)
Filme japonês marcado pelo experimentalismo falando da história de uma relação incestuosa entre irmãos, a escritura das memórias da irmã já falecida e a loucura do irmão após isso. O filme é cheio de offs, repetições, cantorias, visuais diferentes a cada plano e nenhuma preocupação narrativa formal. Como foi a primeira sessão do dia e eu só tinha dormido 4 horas no dia anterior creio que o filme saiu prejudicado pelo meu sono, o que tornou o filme bem mais complexo do que deve ser. Acho que parte da equipe do filme e o ator principal estavam na platéia.
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P.S.
A trilha de Para Sempre Na Minha Vida é exagerada, emocional, italiana hehehe achei bem boa. Quem compôs foi Paolo Buonvino.
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A Vida De David Gale (The Life Of David Gale)
Novo filme de Alan Parker. Mais tradicional (mesmo com passagens de tempo com efeitos "modernos") falando sobre a pena de morte. Kevin Spacey é o professor, grande ativista contra a pena de morte, acusado de estupro e assassinato de uma amiga (Laura Linney) que agora enfrenta a pena de morte no Texas. Kate Winslet é a jornalista chamada por ele para relatar toda a história. A partir disso ela vai tentar em 4 dias provar sua inocência. Como o filme é conduzido e as atuações são todas funcionais, servem ao propósito, apenas as revelações finais pecam por não se tratarem de fatos reais, então a luta contra a pena de morte fica fraca, pois por se tratar de uma história fictícia não há argumentos reais que isso poderia acontecer e assim acabar com os que defendem a pena. Por outro lado ficamos querendo saber como o crime ocorreu e quem matou durante quase todo o filme.
Para Sempre Na Minha Vida (Come Te Nessuno Mai)
Uma grande surpresa vindo de Gabriele Muccino (diretor de O Último Beijo). Este filme foi feito um ano antes de O Último Beijo e trata de um dia na vida de Silvio (feito pelo irmão do diretor, que eu achava ser o filho, Silvio Muccino) quando estudantes de sua escola a invadem para tomar posse, contra a privatização. No meio de toda confusão os relacionamentos amorosos que iniciam e acabam nesse dia.
O filme é ótimo, ágil, jovem, envolvente. Faz um retrato legal da juventude italiana. Realiza um balanço equilibrado entre política e amores, pais e filhos. No meio de todas as sentenças de ordem dos "revolucionários" vê-se que o mais importante mesmo são os relacionamentos humanos. O conflito geracional não é feito de forma maniqueísta com os pais que foram rebeldes / revolucionários quando jovens e agora são caretões / burgueses, é tocante por exemplo a tentativa da mãe (Anna Galiena) de se comunicar com os 3 filhos (2 homens e 1 mulher) e desabafar que se sente só mesmo com 3 filhos.
Os atores jovens estão ótimos, as meninas são bem escolhidas e são apaixonantes. Dá pra comparar com os filmes do Furtado no cinema que apesar de mostrarem várias cenas boas não tem o conjunto forte como Muccino consegue criar, pois o italiano não desvia demais a trama para outros assuntos e sabe que é mágico aquele momento para os adolescentes onde tudo parece ser a coisa mais importante da vida.
Aquele clichê da amiga que gosta de você, mas não se declara e você não percebe isso é mais uma vez mostrado aqui, mas é de forma tão tocante que não dá pra não dar um chorinho discreto, ainda mais para quem desejaria que isso tivesse ocorrido pessoalmente tempos atrás...
No final percebe-se claramente ser um filme movido pela paixão ao mostrar cada ator olhando descontraidamente para a câmera. Um filme extremamente alto astral, muito engraçado e emocionante. Até agora (também vi pouco) o melhor do Festival.
Encontros E Desencontros (Lost In Translation)
Sofia Coppola realiza um filme bem terno sobre o amor entre estranhos perdidos num país desconhecido (no caso o Japão) com um toque de melancolia no ar. Os dois estranhos são Bill Murray como um ator conhecido que vai fazer comerciais na terra do sol e Scarlett Johansson (linda! maravilhosa!) como a recém esposa de um fotógrafo de moda. Por circunstâncias do acaso se encontram na mesma situação de desajuste com o ambiente local e surge dali uma grande amizade e um amor de grande diferença de idade. Tirando certos aspectos o filme pode lembrar Antes Do Amanhecer no aspecto de 2 seres que num país estranho para ambos surge um relacionamento de amizade que pode virar amor, mas que está fadado a ter um fim. Sofia primeiramente aposta no humor, nos contrastes culturais e sociais (soa até preconceituoso no início, mas ela tenta ajustar as coisas na metade final) para depois passar para o relacionamento destes dois indivíduos tão distintos que estão reavaliando suas vidas (ela sem um rumo ainda e ele desanimado com o rumo que tomou).
A trilha é muito bem escolhida (a ótima de Elvis Costello é cantada no karaokê por Bill Murray). Tóquio com seu visual colorido em demasiado é cenário ideal para a trama do filme.
Anna Faris tem uma participação engraçada como uma atriz famosa de filmes de ação toda espoleta e desinibida, mas superficial e débil (inspirada em Cameron Diaz conforme Sofia disse). Aliás, acho que Sofia fez da personagem de Scarlett seu alter ego; o marido é atrapalhado e afobado como Spike Jonze (marido de Sofia); por achar idiota muitas coisas e ter um comportamento blasé para as coisas é vista pelo marido como arrogante que se acha intelectualmente superior (Scarlett é a escolha certíssima para esse tipo de papel).
O final pode parecer triste, mas uma fala não ouvida pelo público pode significar esperança.
Pessoalmente acho que os dois não são um belo casal, pois é mais a situação criada que os fez se aproximar e se identificar um com o outro, não acredito que num momento outro eles iriam se identificar tanto assim, ao menos por parte dela, já que qualquer homem ficaria interessado na Scarlett em qualquer situação. Encaro muito mais o relacionamento deles como uma grande amizade, por parte dela como um pai, mas por parte dele como uma projeção de sua própria esposa quando jovem. Não acho pessimista acreditar que se o casal se formasse no final haveria dentro de algum tempo o mesmo tipo de tédio e angústia que ambos se encontravam no começo do filme, antes de se conhecerem.
Enfim, é um filme sensível com belos momentos e boas atuações (mesmo que eu sempre tenha achado Bill Murray um tanto arrogante como ator em vários filmes).
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sexta-feira, outubro 03, 2003
Pechinchas
Estar numa cidade grande é outra coisa, não? As chances de achar coisas com preço mais em conta são bem altas. Algumas coisas adquiridas por um bom preço:
- The Concert For New York (cd duplo);
- trilha sonora de Moonlight Mile (aqui chamado de Vida Que Segue);
- livro de Cormac McCarthy, Cidades Da Planície (completando a trilogia da fronteira: Todos Os Belos Cavalos e A Travessia), texto sobre o livro, aqui.
- livro Bruce Springsteen - Songs, importado, na verdade um songbook oficial com todas as letras das canções oficiais, rascunhos, várias fotos inéditas e comentários do próprio boss sobre cada fase. Item obrigatório para fãs! Achei por acaso numa barraca de rua que vende livros com preços mais baratos. Era um livro que nem pensava em ter por ser muito caro aqui (quando achava em raros lugares) e lá fora também (50 dólares), quando vi o livro e o preço (pechinchado ainda mais, claro) não tive dúvidas: I got it!
- fita vhs do filme A Síndrome De Stendhal de Dario Argento;
- embalagens de dvds (5 por 2 reais).
Fora isso peguei fitas que tinha deixado com um amigo para gravações de algumas coisas, do que lembro tem: Gerry de Gus Van Sant, alguns episódios de Curb Your Enthusiasm, um filme antigo do Nanni Moretti, Terra De Faraós de Howard Hawks, um episódio do Projeto Greenlight, documentários sobre Woody Allen e Giuseppe Tornatore.
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quinta-feira, outubro 02, 2003
Confidence (Idem)
Filme de James Foley com Ed Burns, Dustin Hoffman, Rachel Weisz, Andy Garcia, Paul Giamatti e Luiz Guzman. O elenco bem conhecido e a trama de homens praticando um golpe parece tratar-se de um filme do David Mamet (seja escrevendo ou dirigindo), mas não é. Foley consegue com ajuda do elenco e uma boa fotografia criar um filme extremamente envolvente, não largamos da trama em nenhum momento. Só que esse tipo de filme já é conhecido e há vários assim já feitos, por isso algumas coisas não soam surpreendentes. Um exemplo, o filme é contado em flashbacks e o tempo presente do filme não é exatamente o que aparenta ser ao final. A estrutura do roteiro é bem conhecida e o público pode adivinhar as coisas ou ao menos desconfiar de tudo (o que cada vez mais torna filmes desse gênero aprisionados em suas regras), o que não torna o filme fraco, apenas não tem um desfecho que marque e o diferencie do resto. Rachel Weisz está particularmente linda, e os outros atores tem bons momentos.
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Demonlover (Idem)
Primeiro filme visto no Festival Do Rio 2003. Apesar de gostar do Olivier Assayas (cineasta e crítico) só tinha visto Irma Vep antes deste. Água Fria e Os Destinos Sentimentais ainda tenho gravados para ver. Há semelhanças com Irma Vep na mistura de referências, a trama básica é de espionagem industrial, mas há no meio disso uma investigação sobre o feminino, hentais, sites proibidos (de torturas), etcs. Uma revelação é Connie Nielsen protagonizando o filme (falando em francês e inglês). Connie já tinha chamado atenção em Advogado Do Diabo, depois Missão Marte, Gladiador e Retratos De Uma Obsessão, mas é com Assayas que ela se revela por completo. A câmera se apaixona pela Connie, tomadas longas em close dela dizem muito e torna a personagem extremamente complexa (quem sabe não é esse o grande papel de sua carreira?). O público comum pode ficar perdido na metade inicial do filme porque os motivos de várias coisas vão sendo explicados aos poucos (e nem tudo chega a ser explicado). O final tem um clima David Lynch e pode causar críticas por tornar a coisa um pouco "surpresa final" de algo como Twilight Zone, por exemplo, mas para quem não liga não afeta o trabalho como um todo. Chloe Sevigny e Gina Gershon participam do filme. Uma cena entre Connie e Gina é ótima pela violência.
A trilha foi composta pelo Sonic Youth, é ótima.
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