RD - B Side
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"Sometimes meaningless gestures are all we have"

terça-feira, março 28, 2006
Can This Man Save The Movies? (Again?)



Ótima
matéria sobre digital e o futuro do cinema com opiniões variadas de George Lucas, Michael Mann, M. Night Shyamalan, Robert Rodriguez, Steven Spielberg, James Cameron e Kevin Smith.

E exclusivas conversas com George Lucas e Steven Spielberg.

posted by RENATO DOHO 5:01 AM
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quarta-feira, março 22, 2006
ABC Do Amor (Little Manhattan)



Delicioso filme que se mostra um dos melhores filmes sobre o primeiro amor que já vi. É a estréia de Mark Levin na direção, mas no currículo há algo que evidencia a ligação com a série Anos Incríveis: lá ele foi "story editor" (termo melhor compreendido no original). O roteiro é de Jennifer Flackett (ambos trabalharam em Wimbledon, será que são casados?). No começo você acha que os jovens protagonistas Josh Hutcherson e Charlie Ray podem não dar conta do recado ainda mais quando lembramos dos atores da série mas conforme vamos vendo suas performances eles nos conquistam de vez. Como na série há um narrador off (o garoto mesmo, só que sem ser em idade adulta, como se recordasse) fazendo com que o ator tenha que interpretar muito por olhares. A garota é fantástica (e é sua estréia também) tendo momentos complexos de se transmitir apenas por gestos e olhares. É daquelas que aos poucos vamos nos apaixonando, se tornando a imagem símbolo de nossos primeiros amores (para os homens, claro). O casal adulto foi bem escolhido, dois bons atores, Cynthia Nixon (Sex And The City) e Bradley Whitford (West Wing) e mesmo não sendo os principais transformam seus personagens em seres humanos, sendo cativantes. Somente a escolha do cara do elevador, Willie Garson (Sex And The City), foi um pouco errada já que sua imagem de gay é tão marcante que não convence como hetero nas poucas cenas que aparece. O filme mistura muito bem o realismo com a imaginação infantil, sem extrapolar, dosando bem onde colocá-las (no início são mais constantes), assim como o humor com ótimas piadas (verbais ou gags fisicas). Também consegue ser uma declaração bem carinhosa de amor à NY (e/ou Manhattan) com suas ruas, seus locais famosos e nem tantos (mas charmosos) e seu espírito (o estilo do cantor que aparece, as atividades recreativas, esportivas ou alimentares, a filha oriental adotiva do casal artístico liberal). E incrível que ainda tenhamos espaço para não só o primeiro amor, mas o amor (e perda de) em geral da família com os pais em processo de separação. Isso tudo em 84 minutos muitos deles centrados na relação de amizade que vai se desenvolver em amor. Até a corridinha de comédias românticas é bem feita. Acho que o final não poderia ser mais apropriado, sem ilusões diante do fato que estamos lidando com crianças e o primeiro amor. A seleção musical fica ainda melhor na parte final. Confesso, fiquei com nó na garganta e chorei em algumas cenas por ver situações tão bonitas, tão identificáveis, tão humanas. Uma pérola que espero que mais pessoas vejam (há várias cópias dubladas do filme, o que facilita as crianças apreciarem o filme, mas talvez possa afastar os adultos que se encantariam) e se emocionem.

P.S. - se puder evitem ver o trailer, vi depois de ver o filme e achei que entrega coisas demais, estraga a magia da descoberta do feeling do filme.



posted by RENATO DOHO 9:54 PM
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quinta-feira, março 16, 2006
A Lenda Do Zorro (The Legend Of Zorro)

Se do primeiro pouco lembrava essa continuação já começa a sumir da minha mente. Talvez um pouco melhor, mas só. Um único pequeno destaque: o jeito irresistível que Catherine Zeta Jones criou para seus beijos no filme, ela geme em todos eles dando um toque bem sexy.

E Frankenstein Criou A Mulher (Frankenstein Created Woman)

Competência de sempre da Hammer onde o que se destaca é a criação de uma mulher e não um homem.

Wallace & Gromit – A Batalha Dos Vegetais (Wallace & Gromit – The Curse Of The Were Rabbit)

O trabalho técnico é elogiável e a história tem seus bons momentos, mas não marca tanto como A Fuga Das Galinhas. As piadas de apelo sexual ficam engraçadas num filme para crianças.

Curva Do Destino (Detour)

Típico filme de Edgar G. Ulmer: barato, curto e rodado rapidamente (6 dias!). Isso se nota de imediato, mas a criatividade compensa toda a precariedade. O único porém que não se consegue contornar é a atuação da dupla central, por vezes careteira demais. No caso de Ann Savage ajuda no fato de torná-la odiável. Impressionante é que com todas essas condições e o pouco tempo de duração do filme Ulmer consegue mil vezes mais que centenas de cineastas (principalmente atuais) transformando o filme numa obra prima noir cult.

Ellie Parker (Idem)

Curta com a Naomi Watts que ela, após despontar para a fama, resolveu bancar mais cenas para transformar em longa. É o que se chama de tour de force da Naomi. O uso do digital ainda confunde a relação com o espectador que fica sentindo estar vendo algo real e quando se depara com uma encenação confunde as coisas. Mas depois de se acostumar dá pra encarar numa boa esse retrato divertido e bem autobiográfico da vida de ator com os mais variados testes, as aulas de interpretação, as relações banais que se estabelecem (nada mais real e clichê ao mesmo tempo ela namorar um pseudo músico, pseudo hippie, pseudo chapado) e as terapias quase obrigatórias. Talvez o filme fosse melhor caso assumisse uma condição mais documental (mesmo que falsa) pois quando tenta ser ficcional soa falso (o cara que Watts fica - aliás o diretor/escritor do filme, a melhor amiga), só que em algumas partes "documentais" têm sua força. Inusitado é ver Chevy Chase como o agente dela. Entre os agradecimentos ao final vemos Lynch e Iñarritu. Quem tem curiosidade da rotina de atores iniciantes vale conferir.

Tara Road – Aprendendo A Viver (Tara Road)

Andie MacDowell e Olivia Williams trocam de casa (EUA / Irlanda) após acontecimentos traumáticos em suas vidas. Duas histórias paralelas no mesmo filme que só se encontram no final. A filha de Olivia é feita pela Sarah Bolger que só depois de um tempo encucado por conhecer a garota é que lembrei que é a mais velha de Terra Dos Sonhos. Gosto bastante dela e parece crescer bem, bonita. O filme é comum, com vários coadjuvantes do cinema irlandês conhecidos (Stephen Rea, Brenda Fricker) que ajudam no resultado final.

Orgulho E Preconceito (Pride & Prejudice)

Quão anacrônico nos dias de hoje ver tantas mulheres doidinhas para arranjar um homem como função primeira de suas vidas. Sabe-se lá o motivo de fazer mais um filme sobre isso. Mas Keira Knightley e Jena Malone compensam. E quando achava que estava livre de um filme inglês com a Judi Dench não é que a desgraçada surge no meio da coisa? Deus me livre, por que ela não vai fazer uma sulista americana tarada por rapazinhos ou algo assim?! Sempre a mesma coisa! A direção escapa de ser rígida, mas não acrescenta muita coisa, tentando fugir do normal apenas na cena da dança dos dois sozinhos. O destaque, que irônico, fica com o ator Matthew Macfadyen, rosto desconhecido que ficou muito bem no papel, quem sabe um novo Clive Owen?


posted by RENATO DOHO 4:37 PM
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Cassavetes On Cassavetes



Mais info
aqui.

Baixados

A Turma Do Balão Mágico - Brilhantes Grandes Sucessos
Alison Krauss - Forget About It
Alison Krauss & Union Station - So Long, So Wrong
Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That's What I'm Not
Céu - Céu
David Fonseca - Our Hearts Will Beat As One
Johnny Cash - American II (Unchained)
Marisa Monte - Infinito Particular
Marisa Monte - Universo Ao Meu Redor
Neil Diamond - 12 Songs
Silence 4 - Only Pain Is Real
Silence 4 - Silence Becomes It
Teresa Salgueiro - Obrigado
Thumbsucker

Que ótimo achar as canções do Balão Mágico com boa qualidade, achava que não tinham saído em cd (na verdade saíram num cd que atualmente é muito difícil de ser encontrado e só recentemente relançaram junto com um dvd com os clipes). Apesar de não ter a que eu mais gostava (com a cantora do Metrô) reouvir outras que fizeram parte da minha infância (fui até num show da turma, meio apaixonado pela Simony hehe) foi muito legal, principalmente de outra forma (do som fraco do aparelho de disco que tinha para o mp3 de agora).

Dos dois novos da Marisa Monte gostei mais do de samba, mesmo que não tenha achado nada de tão diferente ou novo assim.

Céu, revelação nacional, faz uma boa mistura do tradicional com o moderno.

Como já disse o novo do Neil Diamond é muito bom, e olha que nunca liguei pras suas canções.

Alison Krauss, sozinha ou com a Union Station é uma maravilha, que voz de anjo! Fora isso todo o instrumental é excelente (e ela toca violino).

Pelo que ouvi até agora Arctic Monkeys não é tudo o que a crítica anda falando, mas não é ruim.

David Fonseca solo ou com o ex-grupo Silence 4 lembra Tindersticks em alguns momentos. E esse artista/grupo português agrada pela qualidade.

Teresa Salgueiro, outra portuguesa, nem precisa dizer nada, é divina.

Pegando o Unchained completei os American Recordings do Johnny Cash, incluindo a caixa Unearthed que contém as faixas que ficaram de fora.

A trilha de Thumbsucker foi feita pelo frontman do The Polyphonic Spree e mesmo sem ter visto o filme ainda dá pra perceber que é instigante (como a música da banda), mesmo com exageros como uma faixa de 30 minutos com clima bucólico de violão, gaita e piano.

posted by RENATO DOHO 4:21 PM
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sexta-feira, março 10, 2006
Cão De Briga (Danny The Dog / Unleashed)



O melhor filme ocidental do Jet Li até agora. A junção favorável de vários elementos propiciaram este belo filme de ação: boas cenas de luta e ação (coreografia de Yuen Woo-Ping), veteranos bons atores, uma trama que mistura bem passado, família e música e um ótimo Jet Li disposto a, de início, ser não mais que um cachorro em cena. E isso mesmo tendo um roteiro esquemático do Luc Besson, totalmente cronometrado: meia hora de apresentação inicial, 40 minutos de desenvolvimento, meia hora de resoluções, com os plot points óbvios marcados por batidas de carro. Até se sente falta de ação no desenvolvimento quando vemos o processo de humanização de Danny, mas isso ajuda a valorizar o que se pode perder, o que há de diferente nos dois mundos. As lutas também estão diferentes por ter um lado mais "luta de rua", brutais, do que Jet faz (destaque para a luta no cubículo, muito boa). Música do Massive Attack. Dvd sem extra algum (enquanto lá fora tem sobre a coreografia das lutas, entre outros), mas respeitando o formato da tela.


posted by RENATO DOHO 2:15 PM
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segunda-feira, março 06, 2006
Outros

Dizem Por Aí (Rumor Has It)

Um Rob Reiner mais ou menos, um Costner legal, uma Aniston simpática, um Ruffalo apoiando bem como sempre... Ver A Primeira Noite De Um Homem antes é bem importante.

Shinobi – A Batalha (Shinobi)

Bom filme com boas batalhas, mesmo que com muitos efeitos.

A Proposta (The Proposition)

Esperava mais, mas é um western correto (roteiro do Nick Cave). Notei que o filme não seria aquilo que esperava quando a relação mais importante do filme é da esposa com o marido e não do protagonista e seu irmão.

A Janela Da Frente (La Finestra Di Fronte)

Outro filme correto onde a história do passado não cativou tanto quanto o romance moderno. Foi o último filme do velho. Temos a bela Giovanna Mezzogiorno (contrastando sua beleza com o jeito italianona de ser, isto é, brava).

Wolf Creek – Viagem Ao Inferno (Wolf Creek)

Demora muito pra chegar na história mesmo e o tom documental só atrapalha (ou enfeia mesmo) e essa demora se supostamente queria estabelecer as vítimas não fez bom trabalho, continuam meros bonecos a serem vitimizados. Em algumas cenas fica-se pensando se o sadismo é algo para nos fazer divertir... caso sim é triste (coisa que já me irritava em Jogos Mortais e outros filmes parecidos). O final é um pouco apressado.

O Virgem De 40 Anos (The 40 Year Old Virgin)

A surpresa é que o filme é bem mais romântico do que se esperava, não é apenas a comédia escatológica anunciada. Steve Carrell encarna muito bem o personagem e Catherine Keener está radiante. Visto na versão estendida do dvd (17 minutos a mais) por isso o ritmo apresenta irregulariedades (e há mais cenas cortadas nos extras, a comédia era um épico de 3 horas pelo visto! hehe).

Murder On A Sunday Morning (Un Coupable Idéal)

Excelente documentário do mesmo diretor do ótimo A Morte Na Escadaria. Pra ser visto, revisto e divulgado pra ser visto por mais pessoas. Melhor não contar muito para não estragar a apreciação, mas é um julgamento de um jovem de 15 anos, negro, acusado de matar uma turista branca na Flórida.


posted by RENATO DOHO 1:30 AM
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quarta-feira, março 01, 2006
Pós Carnaval

Sem muitos comentários (porque realmente apenas um ou dois eu gostaria de escrever mais sobre, mas não o farei) eis o que vi no feriado pela ordem de preferência:

Johnny & June (Walk The Line) ****

Que emocionante! Chorei em dois momentos. Tanto as atuações como a direção dão o tom exato dessa história de amor (ao contrário do que pensam o filme é realmente mais sobre Johnny e June que sobre a lenda de Cash, essa ainda merece um filme mais longo e que aborde um período maior de sua vida).

Ponto Final (Match Point) ***1/2

Um Allen acima da média do que vinha fazendo auxiliado pela Scarlett Johansson (o filme perderia caso não tivesse esse carga sensual da atriz). Tem vários defeitos, inclusive uma virada de personagem por demais forçada e falsa e quase estraga tudo perto do final, mas corrige a tempo.

UPDATE: uma coisa que percebi bastante no filme e esqueci de falar aqui - como todos os personagens são irritantes, acho que de propósito, mas tudo o que fazem é extremamente vazio (ópera, livros, tênis, galerias, caça, decoração, bolsa de valores, cinema, comida, bebida, etcs) mesmo que aqui e ali haja algo de bom eles conseguem transformar em algo burguês e totalmente sem gosto, incluindo o papo sobre a situação do mundo. O que não deixa de ser engraçado pois é um universo que Allen vive. E mais engraçado ainda é irem ver Diários De Motocicleta, típica escolha daquela classe de pessoas (o que o público do Espaço Unibanco sente ao ver o filme de Allen lá? será que percebem a crítica?).

Syriana – A Indústria Do Petróleo (Syriana) ***1/2

Que ótimo thriller como há tempos não via e não me empolgava. Há de se perdoar a ingenuidade do personagem do Clooney em dois momentos chaves (afinal ele é um agente de experiência, não faria certas coisas) mas isso é o de menos. O filme poderia até ser uma minissérie para abordar com mais profundidade certas histórias e personagens, pois resumidas em duas horas jogam muitas informações que podem dispersar o público médio.

O Segredo De Brokeback Mountain (Brokeback Mountain) ***

Não achei nada demais no tão badalado filme. Segue meio que o estilo Ang Lee de outros filmes, deixando aquela sensação mais de morno do que frio ou quente. Há uns clichezões que não esperava (incluindo a manjada cena de sexo com a esposa com a posição sexual que nos remete ao amante - lembrei de América Do Medo onde o protagonista só consegue transar assim com a esposa após sair da prisão já que era assim que se acostumou lá) principalmente em ações dos personagens. Os atores não estão lá grande coisa (e Michele Williams inclusive tinha cenas melhores em Dawson's Creek). Uma surpresa foi ver mais bom humor do que esperaria. Agora entendo porque é favorito ao Oscar e está tendo boa bilheteria.

A Dama De Honra (La Demoiselle D’Honneur) ***

Um Chabrol que lembrou demais o Ripley da Patricia Highsmith, não sei explicar racionalmente por que. Essas personagens borderline que vão se mostrando mais e mais conforme a narrativa anda não causam mais grandes surpresas.

Boa Noite E Boa Sorte (Good Night, And Good Luck) **1/2

A não ser pela interpretação de David Strathairn o filme não diz muito a que veio, além de parecer curto demais. Faltou explorar mais tanto o personagem quanto a história retratada, ficou parecendo mais um flashback rápido.

Capote (Idem) **

Pra quem conhece a história de À Sangue Frio o filme enrola até demais em algo já sabido, fora que quase que se sustenta apenas na performance de Philip Seymour Hoffman que não chega a ser exatamente muito boa. A se destacar os planos mais longos que se detém nos rostos dos atores. Catherine Keener está bem.

Acrescento que algo indicativo ocorreu nas sessões dos três últimos: senti sono. E isso não pelas condições (logo anterior ou posteriormente vi os outros filmes que não causaram sono) mas sim pelos filmes que além de tudo eram mais curtos que o resto (90 minutos na média).

Entre algumas aquisições destaco ter conseguido a trilha de Lavoura Arcaica e o cd 1959 Milano Sessions do Chet Baker por 6 reais cada, Spartacus duplo por 19,90 (Fnac) e Cruzada duplo por 29,90 (Blockbuster). Fora Meu Ódio Será Sua Herança duplo, só que no preço normal mesmo.


posted by RENATO DOHO 8:20 AM
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