sexta-feira, setembro 01, 2006
Eu, Um Negro (Moi, Un Noir) Mestres Loucos (Les Maîtres Fous) Jean Rouch - Subvertendo Fronteiras
Segundo filme de Rouch que vejo, Eu, Um Negro, mantém a mesma bela mistura entre documentário e ficção onde ao acompanhar alguns dias da vida de nigerianos trabalhando em outro país (Costa Do Marfim) nos deparamos com muito mais que isso ao vermos os personagens retratados improvisarem e depois dublarem em cima das imagens capturadas/encenadas/recriadas (e Rouch também narra certos trechos). A complexidade da linguagem empregada influenciou bastante a nouvelle vague, muitas passagens nos mostram isso, seja na liberdade da câmera, no jogo entre o que se mostra e o que se fala, nas falas dubladas e nas cenas mostradas e montadas que dão pulos temporais, incorporam comentários, pensamentos e diálogos e no uso do som e da música. Grande aula de cinema. Nota-se a maior valorização do tempo livre dos retratados do que o trabalho, já que no dia em que trabalham acompanhamos o almoço e a siesta; já no fim de semana é onde eles realmente se mostram e vivem, antevendo um pouco a angústia da próxima semana e o sentimento de não pertencer ao local que se encontram. No mesmo dvd há o fascinante curta Mestres Loucos que só posso ser realmente absorvido se visto pois é algo tão intrigante e espantoso que não parece real. Também há um documentário nacional sobre Rouch feito por estudantes de antropologia.
Person
Versão reduzida do documentário que Marina Person realizou sobre o pai, Luiz Sérgio Person. A versão, ainda não lançada, de cinema deve ter duração maior. Como está é mais o lance da relação entre Person e suas filhas (Marina e Domingas) entremeadas pelo trabalho dele como cineasta, dando destaque à alguns filmes. A parte pessoal mesmo não é muito focada. Em relação a um programa feito pelo Canal Brasil o filme da Marina é menos abrangente, apenas se diferenciando pelo olhar que tem no registro das entrevistas (tentando não ser formal como seria um programa televisivo). É esperar o documentário completo deste que é um dos grandes do cinema brasileiro (e um dos meus favoritos justamente pelas obras primas São Paulo S/A e O Caso Dos Irmãos Naves).
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quarta-feira, agosto 30, 2006
Terror Em Silent Hill (Silent Hill) ••••
Se eu tinha gostado de O Combate o mesmo não aconteceu com Pacto Dos Lobos (e Necronomicon não me deixou impressão alguma) então não tinha lá grande interesse em ver esse novo trabalho do Christophe Gans. Só veria realmente por ser fã da Radha Mitchell e é ela um dos grandes trunfos do filme (o que é aquela roupa no início, hein?). Mas fora isso o filme não deixou de ser uma bela surpresa. O andamento não é lá muito bem elaborado (parece um pouco longo demais) fazendo com que, coincidentemente, eu olhasse para o relógio 3 vezes, sendo de meia em meia hora. A trama não apresenta algum lance mais original ou inusitado, sempre nesses começos a burrice dos personagens conta bastante para o desenrolar das coisas. O que vale é a interpretação e persona de Radha, alguns dos personagens introduzidos (a policial, quase um fetiche lésbico; e a líder da seita) e momentos bem conduzidos. De terror mesmo não há nada, há sim mistério, onde não se tenta o medo ou o susto, mas sim do desvendamento das coisas. Em várias cenas, situações e movimentos de câmera a gênese do video game é bem evidente - mesmo que eu nunca tenha jogado e nem saiba como é a trama - e isso não prejudicou o filme (os caminhos a seguir, os desafios, as armas disponíveis). Os vários efeitos especiais até combinaram e ficaram bem, por incrível que pareça, com os cenários se decompondo, os insetos gigantes e os monstros contorcidos. O ponto alto do filme é a parte final, que fez com que eu passasse a achar ótimo o que estava achando bom. Começando com a "queimação" e Radha se impondo de forma gloriosa logo a seguir. Totalmente Hellraiser a cena na igreja consegue em poucos minutos reunir muitas imagens inesquecíveis como os arames entrando em certos lugares e a dança de sangue a seguir. O melhor é que lá ficava mais evidente um aspecto que pode ser prejudicial para alguns, mas para mim foi benéfico: não há realmente vilões e monstros; como os cenobitas de Barker há sim crueldade, maldade, mas não em personificações, apenas em ações. Não esquecendo do instigante final. Um porém: botar Johnny Cash na trilha nestes tempos já devia ser proibido! Se antes era legal ouvir Cash aqui e ali agora parece moda ou uma forma de chancelar algo.
V De Vingança (V For Vendetta) ••
Apesar de ter os quadrinhos ainda não li a obra em que se baseia o filme e por isso só comento do que se fez nas telas. Talvez venha a concordar com Alan Moore que nem deixou o nome nos créditos, do filme não ter muito a ver com as hqs. Tudo parece banal e mal realizado, ou melhor, corretamente feito e superficialmente percorrido. Nem Natalie Portman dá um gás na coisa. Nada instiga, nada atrai, tudo fica parecendo a máscara de V, artificial e imutável. Fora que parece remake de 1984.
A Cor De Um Crime (Freedomland) ••
Filme que tenta chegar em algum lugar mas não chega a lugar algum. Toda a questão de raças, do bairro e tudo o mais que bem pode estar no livro (do autor de Clockers que é mais bem sucedido) não se ressalta aqui no filme. Talvez pela direção insossa do Joe Roth. Samuel L. Jackson não foge muito do que geralmente interpreta e Julianne Moore atua em constante estado de desolação. Moore novamente faz uma mãe à procura de seu filho.
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sábado, agosto 26, 2006
Breve História De Quase Tudo

Extraordinário livro de Bill Bryson, jornalista mais conhecido pelos seus livros de viagem, que movido pela mais apaixonante das curiosidades quis entender o nosso mundo. Como bem diz a capa do livro vai do big bang ao homo sapiens e são tantos os assuntos nas quase 500 páginas que nem dá pra descrever tudo aqui. Bryson se valeu de três anos de pesquisas em livros, revistas e especialistas para tanto. O melhor é que não se trata de um resumão, mas sim de uma abordagem de jornalismo investigativo tendo toda a parte teórica como base para se lançar à viagens aos locais e na procura das pessoas certas para esmiuçar melhor as questões. A leitura parece de uma grande reportagem ao invés de algo teórico e maçante. Um exemplo de como todo bom jornalista (munido de muita curiosidade) poderia escrever sobre os mais diversos temas dessa forma como Bryson fez.
Do cosmos passa para a Terra, toda a evolução passando por física, química, geologia, biologia, etcs e indo parar em nós, os homens. No meio disso quase tudo é relatado, detalhado, explanado seja em biografias dos cientistas importantes de cada área, as batalhas que esse meio científico acadêmico teve e tem até hoje, os diversos estudos e teorias e até passagens curiosas de incidentes, acidentes, fatos sociais, aspectos econômicos e assim vai. Um aspecto muito positivo de Bryson é que ele usa de efeitos comparativos para melhor exemplificar certas idéias e noções de tamanho e espaço. Como dimensionar a Terra ao tamanho de uma ervilha e sendo assim Plutão estaria a 2,5 quilômetros de distância, e do tamanho de uma bactéria - bem diferente dos tradicionais mapas do sistema solar... Qual seria a real distância do solo ao centro da Terra (e depois sabermos que não conseguimos chegar em escavações nem na casca superficial da Terra caso fôssemos uma laranja). Ou previsões de possíveis acontecimentos com relação à terremotos, tsunamis, epidemias, eras glaciais...
Caso houvesse alguém criativo poderia transformar o livro num belíssimo filme ou minissérie que juntasse da melhor maneira possível quase tudo que se aborda nele. Os locais citados, os especialistas consultados, a história através de fotos e reconstituições, os efeitos para abordar tanto o macro quanto o micro e coisas mais abstratas, numa incrível jornada do conhecimento. Kubrick, cadê você?
Dentre as várias coisas que ficam há a real sensação que nós não sabemos de absolutamente nada ainda, o que não deixa de ser engraçado diante de tantos estudos. O oceano, tão próximo, é quase uma incógnita, imagine o resto. Isso sem falar no próprio corpo do ser humano (o cerébro sendo ainda um grande mistério). O redimensionamento do passado da Terra dá uma melhor noção de como o ser humano é quase uma vírgula em sua história, marcado por muitas mudanças e várias grandes extinções (nossa presença está retendo que outra espécie de ser a próxima espécie dominante como os dinossauros foram para nós?).
Quando pensamos nos cientistas dá para se pensar em que condições conseguiram realizar seus feitos, a permanente curiosidade, a possibilidade (social, financeira) de dedicação absoluta ao objeto de interesse, as rejeições constantes pelos orgãos e acadêmias oficiais (como numa piada exposta no livro as etapas que uma nova idéia percorre: primeiro é negada por todos, depois um pouco aceita, mas considerada sem muito valor e finalmente é reconhecida, mas à pessoa errada é dada a fama da descoberta) e em vários casos o reconhecimento tardio, não em vida, dos estudos e descobertas alcançadas.
Ao final Bryson dá um tom ambíguo da grandeza e baixeza do ser humano em sua curta trajetória até aqui. Capaz de se estudar e alcançar tamanhos feitos e ao mesmo tempo ser um dos maiores carrascos de todos os tempos (estamos na média de 600 à 1000 extinções de animais e plantas por semana!). A grande variedade do planeta em todo esse tempo nunca esteve tão em baixa como agora, com nossa presença.
Gostaria que o livro até fôsse disponibilizado para estudantes do segundo grau, a simples leitura deste seria melhor do que várias aulas sobre as várias matérias e poderia até despertar maior interesse nos alunos para muitos dos temas abordados, assim o que antes via como chato em biologia, química, geografia poderia ser fascinante caso abordado do ângulo mais sedutor. Indico à todos, leigos como eu, que tenham um mínimo de interesse no mundo, no ser humano e no universo.
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quarta-feira, agosto 23, 2006
Valentin (Valentín) •••1/2
Bonito filme de Alejandro Agresti com uma história terna de memórias e crescimento. O garoto Rodrigo Noya tem ótimo desempenho auxiliado por um competente elenco. Mesmo sem qualquer novidade nesse tipo de abordagem (ainda mais quando quem lembra da história virou escritor ou artista) o que conta a favor é a sinceridade da coisa. As percepções que se formam através dos exemplos mais velhos, os laços que podem ligar diversas pessoas aparentemente sem ligações. Encanta a presença de Julieta Cardinali que por um momento esquecemos que é a namorada do pai do garoto e passamos a nos perguntar se não seria ela a mãe.
Espíritos – A Morte Está Ao Seu Lado (Shutter) ••1/2
Mais um suspense/terror oriental usando a mesma temática de espíritos aparecendo em fotos e um carma para ser resolvido. Alguns sustos e bons momentos envoltos nos mesmos traumas que causam toda essa história (no caso um estupro coletivo) e nos mesmos momentos de tensão.
Garota Da Vitrine (Shopgirl) •••1/2
Sensível filme de Steve Martin que mesmo não dirigindo escreveu o rotero baseado no seu próprio livro. Bem pessoal no que se refere à relacionamentos e à cidade de Los Angeles (um L.A. Story mais sério, mais romântico). Interessante a comparação para nos dizer onde Martin está atualmente como pessoa e como vê sua própria trajetória (no filme anterior era um pouco mais otimista com seu alter ego). Claire Danes brilha sem brilho, uma das raras que consegue se passar por uma simples garota, funcionária de uma grande loja, vivendo sozinha sem que fique falso demais. Ao menos Martin vê com esperança a geração mais nova do que ele.
O Documento Holcroft (The Holcroft Covenant) •••
Eficiente thriller de John Frankenheimer baseado em Robert Ludlum. A história gira em torno de uma fortuna guardada por nazistas na segunda grande guerra esperando todo esse tempo os herdeiros do trio que sela um pacto de morte. Aparentemente o dinheiro era pra ser usado como forma de reparação aos erros cometidos, mas o herdeiro principal, Michael Caine, começa a perceber que não é exatamente isso. O uso dos planos inclinados é a marca maior do visual do filme. Há uma leve ação, mas nada que possa ser palco para Frankenheimer se exercitar como consegue. Apenas a cena final parece deslocada, poderia ter sido em menor espaço de tempo depois da última ação.
Bom Dia, Noite (Buongiorno Notte) •••1/2
Belo filme de Marco Bellocchio sobre o caso Aldo Moro pelo ponto de vista de uma das sequestradoras. Uso curioso e eficaz de Pink Floyd na trilha. As misturas de realidade e sonho mais do que um mero recurso são o posicionamento final de Bellocchio diante dos fatos. Em último instante ele celebra a liberdade da imaginação e não a realidade da política (que mais parece religião). Como não lembrava o desfecho do caso real o filme assumiu para mim até um quê de suspense. Senti falta de uma conclusão para o personagem do escritor que paquera a sequestradora no trabalho.
Click (Idem) ••
Remake mal disfarçado de A Felicidade Não Se Compra que já era inspirado em Charles Dickens que teve melhores resultados em Um Homem De Familia. Sendo muito óbvia a cena chave dele deitando na cama e a partir dali acontecerem todas as loucuras nada realmente empolga pois já se sabe que tudo é um sonho e que voltaremos naquele ponto para ele mudar de vida; Christopher Walken é como o espírito do passado, presente e futuro em uma só pessoa (assim como nos dois outros filmes citados). A vantagem dos dois outros é que o espectador sabe de tudo que está acontecendo e por isso consegue refletir melhor as recordações e projeções. Quase que poderia tomar o rumo do De Volta Para O Futuro em alterar as realidades através de mudanças no passado, mas isso não ocorre. O filme ainda quando tenta fazer comédia é sem graça (tendo mais uma vez o amigo Rob Schneider fazendo ponta, desta vez o árabe do início) e quando é sério vira dramalhão. As canções e camisetas anos 80 que o Sandler bota em todo filme dele começam a cansar já que não acrescentam nada ao que se está contando (apenas mostra que o pai ainda é bem imaturo, mas como isso é constante em Sandler é algo até sem querer). O diretor é o inespressivo Frank Coraci.
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segunda-feira, agosto 21, 2006
Pesquisa Literária 2006 (2)
Mais algumas respostas recebidas, muito bem vindas e agradecidas.
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5 Últimos Lidos:
- Hellboy: Odd Jobs, de Mike Mignola & Gahan Wilson & Yvonne Navarro et al - Pattern Recognition, de William Gibson - Why Programs Fail: A Guide To Systematic Debugging, de Andreas Zeller - A Hunter Like Fire, de Greg Stolze - Blood In, Blood Out, de Lucien Soulban
5 Últimos Que Mais Gostei:
- Good Omens, de Terry Pratchett & Neil Gaiman
- Pattern Recognition, de William Gibson
Esse foi o meu primeiro livro do Gibson na verdade, shame on me. A história é fabulosa, e ele consegue criar um ótimo ambiente cyber-punk sem implantes biônicos, robôs maléficos e mega-corporações, quer dizer, tem *uma* mas ela não é tão mega assim.
- The Wee Free Men, de Terry Pratchett
- Até Logo E Obrigado Pelos Peixes, de Douglas Adams
- Hellboy: Odd Jobs, de Mike Mignola & Gahan Wilson & Yvonne Navarro et al
Esse foi realmente uma grata surpresa, muito melhor do que eu imaginava, prato cheio para quem gosta de histórias de fantasmas e monstros.
Francisco Arêas Guimarães
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5 Últimos Lidos:
- Battle Royale, de Koushun Takami - Homens Do Amanhã, de Gerard Jones - O Horror Em Red Hook, de HP Lovecraft - Conan O Cimério, de Robert E. Howard - A Música Do Filme, de Tony Berchmans
5 Últimos Que Mais Gostei:
- Homens Do Amanhã, de Gerard Jones - Conan O Cimério, de Robert E. Howard - O Senhor Das Moscas, de Sir William Golding * - Dubliners, de James Joyce * - Desvendando Os Quadrinhos, de Scott McCloud
* releituras
Otávio Moulin
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Últimos Lidos:
- Il Signor Giovanni, de Dominique Fernandez - La Possibilité D'une Île, de Michel Houellebecq - Romain Rolland, de Stefan Zweig - Les Ronces, de Antoine Piazza
Há outros, mas já me esqueci... Acho que eram meio insignificantes.
Últimos Que Mais Gostei:
- Romain Rolland, de Stefan Zweig - Les Ronces, de Antoine Piazza
Esqueci também do resto... Minha memória anda muito ruim...
Jorge ColiMarcadores: 2006, Pesquisa Literária
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domingo, agosto 20, 2006
Vendo Beso

Como ficou famosa essa canção e esse comercial! Ouça a música! E baixe o comercial! (salvar destino como / em .flv)
"Someone is there, waiting for my song I'm only looking for someone who sings along When all my dreams, finally reach yours We will uprise and maybe find our true love We will uprise and maybe find our true love"
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sexta-feira, agosto 18, 2006
Trivial & Variado
Na mais recente contagem deu 5099 filmes vistos até hoje. Média mais ou menos.
Li "O Arco Íris De Feynman", de Leonard Mlodinow, bela intro para o Richard Feynman, se bem que é mais sobre o Mlodinow mesmo. Interessante o olhar com relação aos físicos e o medo que têm após a graduação quando são chamados para alguma universidade para continuar suas pesquisas. Será que conseguirão ter alguma outra grande idéia? Serão gênios ou mais alguns por aí preenchendo espaço? E não sendo gênios, o que farão de suas vidas? Engraçado quando Mlodinow resolve escrever um roteiro, todos olham com cara de nojo diante de tal idéia (e ele acabou escrevendo para Jornada Nas Estrelas). Depois de acabar a leitura notei que tinha lido outro livro do Mlodinow recentemente, "Uma Nova História Do Tempo", do Stephen Hawking, uma espécie de resumo, revisão e atualização do grande sucesso "Uma Breve História Do Tempo". Agora é ler "Deve Ser Brincadeira, Sr. Feynman!" e "Física Em 12 Lições" agora de autoria do próprio Richard Feynman (que figura!). E aí, você é grego ou babilônio?
Vi Primárias e Crise do Robert Drew, finalmente. Muitos anos atrás soube de seu trabalho numa entrevista para o programa "Raw Footage" que o Alec Baldwin apresentava. Geralmente se entrevistava algum cineasta independente (outros que vi lá foram David O. Russell, Joshua Seftel, Michael Pack, Allison Anders). Desde lá que tinha muita vontade de ver o trabalho de Drew. Os 2 documentários são muito bons, com Crise mostrando uma evolução com relação ao anterior. Há ainda Faces Of November, fantástico, com o funeral de Kennedy.
Finalizei a terceira temporada de The Sopranos. Eis uma série excepcional! Temporadas com poucos episódios, na média uma hora cada, e são estruturados como mini filmes independentes, mesmo que sejam os mesmos personagens e uma história central ocorra. O elenco é soberbo (dá pra entender porque Edie Falco e James Gandolfini dominavam todos os prêmios), os roteiros são excelentes e as situações extremamente reais ao ponto que é o programa favorito das pessoas retratadas no seriado, sejam mafiosos, policiais, agentes do governo, moradores de Jersey, italo-americanos, etcs. O desenvolvimento de cada personagem cativa e o destaque maior, por enquanto, é o de Carmela Soprano, mulher fascinante, de uma mistura de religiosidade, independência, dependência, culpa, tentação, força e ética fazendo com que nós vejamos o personagem de Tony Soprano de outra forma que não o de um poderoso médio mafioso, racista, truculento e infiel que sofre ataques de pânico e consulta uma terapeuta. A dinâmica dos dois e todo o assunto família tratado são riquíssimos. É há um equilíbrio muito bem realizado entre humor e violência, onde podemos rir de, por exemplo, uma matança feita por um velho tuberculoso nas últimas e achar a situação toda brutal. Ou do nada se surpreender com a morte covarde de uma prostituta sendo esmagada pelo seu "cafetão". Ao mesmo tempo que pode mostrar a frieza e facilidade de se matar alguém, atormenta os personagens e o espectador com essas mortes. Particularmente me identifico muito com certas passagens que lembram minha família (não que ela seja mafiosa), coisa que já notava em O Poderoso Chefão. Em algum ponto que eu ainda não racionalizei direito as famílias italianas e japonesas se parecem (seria por isso que as mais famosas organizações criminais sejam a cosa nostra e a yakuza?). A quarta temporada está chegando em dvd e na HBO começará a sexta e última, desta vez com 20 episódios. Bada Bing!
E que bela coincidência eu estar vendo The Shield e notar como Tony Soprano e Vic Mackey se parecem, inclusive lidando com os mesmos problemas de vigilância, de família e de uma morte antiga que ainda atormenta. Ao menos Vic não tem desmaios e nem se trata com algum médico. Outra série maravilhosa. Se na temporada passada achava que a participação de Glen Close tinha sido foda imagina nessa com Forest Whitaker? Michael Chiklis (Vic) que é o protagonista e produtor só mostra talento e coragem de chamar fodões para duelar com ele, correndo o risco de se apagar diante desses atores, mas isso só o faz mostrar ainda mais suas qualidades. E os dois seriados conseguem fazer com que entendamos e até fiquemos do lado do crime e da corrupção diante da lei e da ordem que parecem o mal. Ainda bem que essas séries não estão no momento em canais abertos hehehe

Ia botar uma foto só do Gideon e dizer que ele rules! Mas a verdade é que essa equipe de Criminal Minds é toda ótima. Mandy Patinkin que faz Gideon está extraordinário. Desde Chicago Hope que não o via tão bem. Espero que agora o cinema dê mais chances para ele brilhar. Cativante e fascinante como o trabalho dos profilers é mostrado. Para quem, como eu, adora isso não pode perder no AXN. É o que em menor escala tem-se em CSI, ainda mais que temos lá William Petersen, imortalizado num dos melhores filmes sobre essa atividade já feitos: Manhunter, do Michael Mann. É como se tivéssemos pílulas de Manhunter de 40 minutos toda semana. É, vicia!
Não tem Liga De Super Heróis? Que tal uma Liga De Profilers? Eu desejaria uma minissérie (um filme é pouco) que juntasse Jason Gideon, Will Graham, Gil Grissom (William teria que fazer papel duplo...), Frank Black, Dale Cooper, Fox Mulder (quem sabe Dana Scully), Clarice Starling e Tom Quinn. Putz, um sonho realizado. Pelo menos uma foto conjunta já seria foda demais hehe
Ah, não poderia deixar de registrar o lançamento da revista Ciência Criminal. Brincaram por aí dizendo que teria apenas um leitor, eu, mas isso é intriga, espero que tenha muitos leitores e várias edições.
Canções do momento:
Jewel - Only One Too (Stonebridge Dub Mix) Bob Seger - Against The Wind James Blunt - Tears And Rain Jackson Browne - These Days Bob Dylan - Thunder On The Mountain Motorhead - Ace Of Spades The Who - I'm One
P.S.: tirei alguns links do lado pois estavam inativos, mas voltando à ativa volto a botar aqui, foi só pra me ajudar. Tentei dar uma melhor ordem também, separando blogs de cinema, blogs pessoais, blogs de famosos, sites de notícia, sites de cinema, etcs.
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